A Náusea

Título: A Náusea
Autor: Jean-Paul Sartre
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 201

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A Náusea - Jean-Paul Sartre

Resumo do livro A Náusea

Publicado em 1938, A Náusea é o primeiro romance de Jean-Paul Sartre e representa um dos marcos inaugurais do existencialismo francês na literatura. Lançado às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o romance captura o clima de crise e desamparo de uma geração que presenciava a humanidade caminhar para a tragédia, transformando-se numa das obras-primas da literatura do século XX e na principal referência dentro da filosofia existencialista.

A Náusea – História

A narrativa se desenrola através do diário de Antoine Roquentin, um historiador solitário que, após viajar pela Europa Central, África do Norte e Extremo Oriente, estabelece-se na fictícia cidade de Bouville para concluir sua pesquisa biográfica sobre o Marquês de Rollebon, um diplomata francês do século XVIII. Vivendo de rendas em uma pensão, sem amigos e desconectado das classes sociais que compõem a cidade, Roquentin inicia suas anotações para tentar compreender uma mudança inexplicável que começa a sentir.

O formato de diário é estratégico: reflete o caráter fragmentado e descontínuo da experiência existencial, sem linearidade clara, apenas momentos desconexos que gradualmente compõem a jornada de autorreflexão do protagonista. As primeiras manifestações da náusea surgem de forma sutil – um estranhamento ao tocar um seixo na praia, uma sensação de mal-estar ao segurar objetos cotidianos, uma percepção inquietante de que algo fundamental está mudando em sua relação com o mundo.

“O que espanta é o fato de me sentir tão triste e tão cansado. Ainda que seja verdade que eu nunca tenha tido aventuras, que importância teria isso? Em primeiro lugar parece-me que é puramente uma questão de palavras.”

Ao longo de suas anotações, Roquentin descreve minuciosamente seu cotidiano em Bouville. É nos espaços públicos, cercado de pessoas, que a solidão se torna mais aguda – Roquentin percebe que está completamente isolado, incapaz de estabelecer conexões verdadeiras com outros seres humanos. A relação do protagonista com sua pesquisa histórica vai se deteriorando à medida que a náusea se intensifica. O Marquês de Rollebon, que inicialmente justificava sua permanência em Bouville, revela-se como uma mera fuga de si mesmo, uma tentativa frustrada de abandonar sua própria existência e mergulhar na de outro. 

A narrativa também acompanha o reencontro de Roquentin com Anny, sua ex-amante, que representa uma última tentativa de conexão emocional significativa. No entanto, esse encontro apenas confirma a impossibilidade de preencher o vazio existencial através das relações humanas – Anny também está tomada pela mesma percepção do absurdo, e entre eles resta apenas a repugnância entre quaisquer duas existências.

“Meu pensamento sou eu: eis por que nao posso parar. Existo porque penso… e não posso me impedir de pensar. Nesse exato momento – é terrível – se existo é porque tenho horror a existir. Sou eu, sou eu que me extraio do nada a que aspiro: o ódio, a repugnância de existir são outras tantas maneiras de me fazer existir, de me embrenhar na existência.”

Ao final, Roquentin abandona definitivamente o projeto biográfico e decide deixar Bouville, considerando a possibilidade de escrever ficção – não mais sobre alguém que existiu, mas criando algo que transcenda a pura contingência da existência. Não se trata de uma solução definitiva para o absurdo, mas de uma escolha: usar sua liberdade para criar, para construir uma narrativa que, embora não elimine a náusea, possa justificar minimamente sua passagem pelo mundo.

A Náusea – Conclusão

O romance é a primeira grande expressão do existencialismo sartriano, apresentando vivencialmente – e não como tratado teórico – a ideia central de que a existência precede a essência. Roquentin descobre na própria pele que não existe uma natureza humana predefinida, um propósito intrínseco ou uma justificativa necessária para o ser – somos jogados na existência sem razão, e cabe a nós criarmos nosso próprio significado através de nossas escolhas.

O romance nos convida a enfrentar o absurdo sem ilusões, a reconhecer que vivemos num mundo desprovido de sentido a priori, onde as certezas confortáveis e as essências domesticadas são apenas fachadas que escondem a nudez inexplicável da existência. Mas ao mesmo tempo, Sartre sugere que essa descoberta devastadora pode ser também libertadora: se nada está determinado, se não há uma essência que nos defina previamente, então somos radicalmente livres para nos construirmos através de nossas escolhas e, talvez, através da criação artística, dar alguma forma ao caos da existência. 

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