As Dores do Mundo

TítuloAs Dores do Mundo
Autor: Arthur Schopenhauer
Editora: Edipro
Páginas: 160

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As Dores do Mundo, de Arthur Schopenhauer

Resumo do livro As Dores do Mundo

Arthur Schopenhauer foi um filósofo alemão conhecido pelo desenvolvimento de seu pensamento pessimista, que caracteriza o mundo do fenômeno como o produto de uma cega, insaciável e maligna vontade metafísica. As suas obras são resultado de sua visão misantrópica e pessimista da sociedade. Era solitário e individualista, e dizia que somente o sofrimento é positivo, uma vez que se faz sentir com facilidade, enquanto que a felicidade nada mais seria do que a interrupção momentânea da dor ou do tédio permanentes, estes entendidos como inerentes à existência humana.

As Dores do Mundo – História

O livro se insere em um período da vida do autor, por volta de 1850, onde ele já havia publicado o seu livro que se tornaria o mais famoso posteriormente: O mundo como vontade e representação. Schopenhauer já havia rompido relações com sua família, especialmente sua mãe, que sempre exercera extrema influência na vida do autor. Além disso, Schopenhauer estava falido financeiramente e derrotado psicológicamente, em consequência de diversas intercorrências em sua vida privada e acadêmica.

Assim, para além de escrever As Dores do Mundo durante o conturbado, mas ao mesmo tempo florescente, século XIX, Schopenhauer passava por momentos de grande dificuldade, que pode servir para explicar o teor do livro, onde ele destila todo o seu pessimismo contra a sociedade que o rodeia e contra o ser humano em geral.

“Enquanto a primeira metade da vida é apenas uma infatigável aspiração de felicidade, a segunda metade, pelo contrário, é dominada por um sentimento doloroso de receio, porque se acaba então por perceber, mais ou menos claramente, que toda felicidade não passa de quimera, que só o sofrimento é real.”

O amor é o primeiro conceito tratado por Schopenhauer. Para ele, o amor, assim como todas as outras manifestações da vontade de viver, é uma força poderosa, mas também uma fonte de sofrimento. O amor, ao invés de trazer felicidade duradoura, é mais uma fonte de sofrimento, pois gera expectativas, ciúmes, desilusões e, eventualmente, a perda do amado. Sendo assim, o amor é uma ilusão, já que a paixão é passageira e a felicidade conjugal é rara.

Schopenhauer acredita que o amor é uma manifestação da vontade de viver, que por sua vez é a causa de todo o sofrimento. Ao se apaixonar, o indivíduo se torna dependente do outro e, consequentemente, mais vulnerável à dor. O amor é egoísta e ilusório, e pode levar à destruição de si mesmo e do outro, quando não é correspondido ou quando as expectativas não são atendidas. Uma parte dessa sessão do livro é dedicada às mulheres. O autor é extremamente machista, reduzindo a mulher a uma condição subalterna em relação ao homem e à própria humanidade.

“O homem é o mais necessitado de todos os seres: não tem mais do que vontade, desejos encarnados, um composto de mil necessidades. E assim vive na Terra, abandonado a si próprio, incerto de tudo o que não seja a miséria e a necessidade que o oprime.”

Como o pessimismo é a força que move Schopenhauer, é natural que a morte seja vista como um alívio. Para ele, a morte é o fim de todos os desejos e, consequentemente, do sofrimento. A vontade de viver, que é a causa de todo o mal, é finalmente extinta com a morte. A morte restaura um equilíbrio cósmico, pois a vida e a morte são forças opostas e complementares. Ela é inevitável, porém libertadora, uma vez que a consciência da morte pode ser uma fonte de motivação para viver uma vida mais plena e significativa.

Schopenhauer envereda, também para outras áreas da existência. Entre elas, da arte. A arte, para Schopenhauer, não é uma criação subjetiva do artista, mas sim uma representação objetiva do mundo, livre das particularidades individuais. As obras de arte expressam as ideias platônicas, que são as essências eternas e imutáveis das coisas. Ao contemplar uma obra de arte, o indivíduo se conecta com essas ideias e transcende a sua individualidade. Ao apreciar uma obra de arte, o indivíduo se esquece de si mesmo e de seus problemas, experimentando um estado de contemplação pura.

“A morte é a solução dolorosa do laço formado pela geração com voluptuosidade, é a destruição violenta do erro fundamental do nosso ser; o grande desengano.”

Sobre a religião, Schopenhauer apresenta uma visão bastante crítica. As religiões oferecem um consolo ilusório, prometendo uma vida após a morte e uma recompensa para aqueles que seguem seus preceitos. A religião é vista como uma fuga da realidade, uma tentativa de negar o sofrimento inerente à existência. A moralidade religiosa, segundo Schopenhauer, está baseada no medo da punição divina e na esperança de recompensa. Schopenhauer argumenta que não há evidências empíricas para a existência de Deus ou de uma vida após a morte. Assim, as religiões alienam as pessoas de suas próprias vidas, prometendo uma felicidade futura em detrimento da felicidade presente.

Sobre a moral, Schopenhauer diz que o medo da dor e da punição é o principal motivador das ações morais. Então, a moralidade surge como uma tentativa de controlar a vontade de viver, que é a causa de todo o sofrimento. As regras morais são estabelecidas para garantir a sobrevivência da espécie e a manutenção da ordem social. Sua visão pessimista da existência o leva a questionar qualquer forma de moralidade que não esteja fundamentada na realidade humana. Para Schopenhauer, a moralidade é uma construção social que, muitas vezes, mascara os verdadeiros interesses dos indivíduos.

As Dores do Mundo – Conclusão

O livro é excelente para quem deseja conhecer melhor os pensamentos do filósofo Schopenhauer, pois possui pensamentos profundos, irônicos e autênticos. Schopenhauer oferece uma perspectiva radicalmente diferente da maioria dos filósofos, argumentando que a vida é intrinsecamente marcada pelo sofrimento e que a felicidade é apenas uma breve pausa entre dois momentos de dor. Essa visão provocativa e desafiadora nos convida a refletir profundamente sobre a natureza da existência humana.

Discordo profundamente da forma como ele trata as mulheres no livro. Mas entendo que ele não poderia escrever diferente, baseado no momento histórico e particular em que teve a cognição para escrever essa obra. Apesar disso, é um livro que nos apresenta uma visão de mundo que contrasta de sobremaneira com a falsa felicidade estampada em redes sociais e nas relações humanas atuais. Um livro que se abre para te avisar que a vida real é um deserto de sofrimento com oásis de felicidade.

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