Fédon

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Título: Fédon
Autor: Platão
Páginas: 66

Resumo do livro Fédon

Como é a existência após a morte? Esse diálogo de Platão situa-se na última reunião de Sócrates com alguns de seus discípulos. Sócrates já havia sido julgado e condenado pelo tribunal de Atenas e aguardava a execução da pena na cadeia. No dia em que iria se consumar a execução, Fédon, um de seus seguidores, ouviu de Sócrates uma reflexão sobre a imortalidade da alma.

Sócrates dividiu corpo e alma como duas partes de um mesmo ser. Partes complementares, porém distintas uma da outra. O corpo é o terreno das sensações, sendo aquele que atrapalha a alma a conhecer a verdadeira natureza das coisas. Dessa forma, apenas os filósofos conhecem realmente o sentido da existência, e por procurar a verdade nas coisas estão prontos para a morte, que seria, na verdade, um novo começo junto da sabedoria.

O argumento de Sócrates é comprovado através de frases concisas e de perguntas que já contêm as respostas. Se o filósofo passa a sua existência inteira em busca da sabedoria, se ele busca habituar a alma a manter-se afastada das sensações que o corpo lhe proporciona, e considerando que a morte é a etapa que verdadeiramente separa o corpo da alma, e que esta irá encontrar a sabedoria pura após o desenlace com o corpo, porque então o filósofo irá temer a morte? porque o filósofo não irá, ao contrário, sentir-se em jubilo por se aproximar o tão esperado momento de sua vida: aproximar-se da sabedoria plena?

“Ter uma alma desligada e posta à parte do corpo, esse não é o sentido exato da palavra morte?”

Na teoria dos contrários, Sócrates afirma que tudo o que existe vem de seu contrário, e que depois de sua existência volta a ser esse contrário, algo que é maior era menor, e quando deixar de existir voltará a ser menor. Assim, o que é vivo veio do que estava morto, em um círculo infinito de composições. Dessa forma, Sócrates tenta comprovar para seus interlocutores que a alma, sendo parte integrante do ser, mas distinta do corpo, após a morte desse ser, voltará para um lugar onde ficará perto dos deuses e da sabedoria para depois voltar a compor-se com um corpo nesse plano de existência. Sócrates também versa sobre a sua teoria das Ideias, onde a realidade é em si mesma por conta da ideia pura dessa realidade, por exemplo: uma cabeça é maior do que a outra não em comparação com aquela que é pequena, ela é maior por causa da ideia de grandeza. E assim acontece com todas as realidades em si.

Vejo esse diálogo como a cosmogonia de um povo antigo, ou seja, a forma como esse povo enxergava e explicava o mundo que o rodeava. Dessa forma, Sócrates explica que as almas daqueles que buscaram o saber estão destinadas a voltar em animais corretos em suas tarefas, como formigas, ou ainda voltar em seres humanos de extrema honestidade. Quanto às almas daqueles que intensificaram seus laços com o corpo, e ficaram atentos apenas às vontades corpóreas, estes vagarão nos cemitérios e encontrarão retorno apenas em animais de um estrato mais baixo como asnos e lobos.

“Uma vez evidenciado que a alma é imortal, não existirá para ela nenhuma fuga possível a seus males, nenhuma salvação, a não ser tornando-se melhor e mais sábia.”

No diálogo ainda é possível ver que outro autor de grande valor, Dante Aligheri, bebeu da fonte chamada Platão: já no final do diálogo, Sócrates explica a seus ouvintes para onde as almas, boas e más, são levadas: para Aqueronte, um rio que representa o paraíso; ou para Cocito, um rio que representa o inferno. Além disso, há o mar chamado Tártaro que representa o purgatório. As referências são enormes. Outra singularidade que me chamou atenção foi o fato de Sócrates tratar seus ouvintes como discípulos e não se sentir com medo ou aversão à morte que se aproximava. Diz ele que algo maior o esperava na morte e que a proximidade com a sabedoria e com os deuses transformaram aquele instante em um momento de alegria e não de tristeza. Isso me lembra outro grande pensador que também se portou de forma parecida aproximadamente 350 anos depois: Jesus Cristo.

O livro foi escrito há muito tempo, mas a mensagem do livro é muito atual: preocupe-se menos com o corpo e mais com a alma, pois sendo terreno de sensações, o corpo pode traí-lo, enquanto que a alma sempre terá lugar reservado junto aos deuses.

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Fédon

Até a próxima!