Título: Autor: Frederico Pernambucano de Mello
Editora: A Girafa
Páginas: 520
Resumo do livro Guerreiros do Sol
Guerreiros do Sol é uma viagem pela história profunda e dura do sertão nordestino, contada com a precisão de um pesquisador e o olhar sensível de quem entende o povo da região. Frederico Pernambucano de Mello começa mostrando as diferenças entre dois mundos: o do litoral, ligado às grandes plantações de cana-de-açúcar, e o do interior, formado por criadores de gado e homens acostumados à seca e à distância.
Essa separação foi moldando modos de vida, costumes e até a maneira de falar. O autor lembra que o português do sertanejo, muitas vezes visto como “errado”, na verdade preserva traços do idioma do século XVI — um detalhe que mostra como o isolamento manteve vivas antigas formas de expressão.
Guerreiros do Sol – História
A partir daí, o livro mergulha nas relações de poder e sobrevivência que marcaram o sertão. Primeiro surgem os “cabras”, homens pagos para executar vinganças ou resolver brigas em nome de fazendeiros. Depois vêm os “capangas”, que assumem esse papel de forma mais constante, e, por fim, os “jagunços”, figuras que já atuavam quase como milícias privadas. É desse ambiente de violência e lealdade que nasce o cangaço.
O autor explica que havia três tipos de cangaceiros: o justiceiro, movido por vingança; o fugitivo, que buscava refúgio depois de cometer um crime; e o bandido propriamente dito, atraído pela fama, poder e liberdade. É sobre esse último tipo que Mello concentra sua análise, especialmente no caso de Lampião, o nome mais famoso da história do cangaço.
“Num sertão em que o poder privado exerceu um mando incontrastável até décadas atrás, o jagunço agrupado em exército particular era importante fator de prestígio para a grande maioria dos chefes municipais, cientes que o homem vale mais pelo mal do que pelo bem que pode fazer.”
O livro mostra como a miséria e as longas secas ajudaram a criar as condições para esse fenômeno. Em tempos de fome e escassez, muitos sertanejos se viam sem saída e acabavam entrando para os bandos armados como forma de sobreviver. O cangaço, nesse sentido, era tanto um problema social quanto uma resposta desesperada às condições do sertão.
Um ponto curioso e muito bem explicado por Mello é o papel do coiteiro — o morador que dava abrigo e apoio aos cangaceiros. Essa ajuda não era gratuita: havia troca de favores. O coiteiro oferecia esconderijos e informações, e, em troca, recebia proteção contra outros grupos ou contra as autoridades. Essa rede de apoio tornava os cangaceiros quase invisíveis, dificultando o trabalho das polícias estaduais. Além disso, as fronteiras entre os estados eram usadas como refúgio: bastava cruzar para Pernambuco ou para Alagoas, por exemplo, para escapar de uma perseguição.
“Conquistou Virgulino quase todos os habitantes das caatingas, tratando-os com extrema bondade e esbanjando prodigamente o dinheiro de que se apossara.”
Com o tempo, os governos do Nordeste perceberam que precisavam agir juntos. Foi assim que surgiram os primeiros acordos interestaduais de cooperação policial. E quando novas tecnologias — como rádios e armas automáticas — chegaram ao sertão, a vantagem começou a mudar de lado. A modernização da repressão marcou o início do fim do cangaço.
O livro dedica um capítulo especial a Lampião, mostrando como ele passou de justiceiro pessoal a símbolo de poder e liberdade. Virgulino Ferreira da Silva começou no cangaço por um motivo de vingança, mas logo se envolveu de corpo e alma naquela vida fora da lei. Sua história cruza com a política nacional: na época da ascensão de Getúlio Vargas e do Estado Novo, o governo transformou Lampião em inimigo público número um, respondendo à tentativa de seus opositores de usá-lo como símbolo de resistência e liberdade.
“Lampião dava a vida para estar entre coronéis.”
Guerreiros do Sol – Conclusão
Ao longo das páginas, Frederico Pernambucano de Mello desmonta a imagem romantizada do “Robin Hood do sertão”. Ele mostra que, apesar do mito, os cangaceiros eram, acima de tudo, homens violentos — muito mais próximos do banditismo do que da justiça popular. Ainda assim, o autor trata o tema com equilíbrio, sem simplificações, mostrando como o ambiente hostil e a ausência do Estado ajudaram a formar esse tipo humano complexo e contraditório.
Guerreiros do Sol é mais do que um livro sobre Lampião e o cangaço. É um retrato profundo do Nordeste e de sua história, escrita com rigor e empatia. Uma leitura indispensável para entender como nascem os mitos, e por que alguns deles ainda resistem até hoje.
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