Mengele

Mengele

Título: Mengele
Autor: Gerald Posner e John Ware
Editora: Cultrix
Páginas: 392

Resumo do livro Mengele

Se essa história não fosse tão trágica e não envolvesse a morte de milhares de pessoas, seria um excelente roteiro de filme. A forma como uma pessoa enganou Israel, Alemanha, Argentina, Paraguai e Brasil e viveu até o final da vida sem pagar pelos crimes que cometeu.

O livro é o resultado de um estudo feito sobre a vida de Josef Mengele, médico de formação, que se alinhou ao Partido Nazista e participou ativamente de um dos momentos mais sombrios da história da humanidade: o Holocausto.

“Mas Mengele era diferente. Enquanto outros tinham que silenciar a própria consciência ou passar por cima do seu papel de médico, Mengele desempenhava a tarefa com a disciplina que se esperaria de um oficial da SS.”

A família do médico sempre foi bem vista na cidade de Gunzburg, na Baviera. Mengele era sinônimo de excelência em máquinas agrícolas. Muito bem colocados socialmente, era natural que os filhos Mengele tivessem acesso às melhores escolas. Josef, o mais velho, logo se interessou pela medicina. Ainda em 1935, com apenas 24 anos, Mengele obteve um PhD em antropologia pela Universidade de Munique. Em 1937, se tornou assistente no Instituto de Biologia Hereditária e de Higiene Racial em Frankfurt, onde teve acesso às ideologias raciais nazistas.

Oficialmente, Mengele ingressou no Partido Nazista em 1937 e na SS em 1938. Com o advento da guerra, Mengele logo se colocou à disposição para atuar no batalhão médico da Waffen-SS (o braço armado da SS). No front, mostrou bravura e foi condecorado com a Primeira Classe da Cruz de Ferro. Após um grave ferimento na frente de batalha, Mengele foi convocado para trabalhar em outra frente: à do extermínio das raças inferiores.

“Ali Mengele fazia com que as crianças fossem despidas e as examinava durante horas nos menores detalhes. Nenhuma parte da anatomia escapava à sua atenção. Quando esse exame terminava, começava a verdadeira tortura. Cirurgias brutais e outros testes dolorosos eram executados, muitas vezes sem anestésicos. Eram amputações desnecessárias, punções lombares, injeções de tifo e feridas deliberadamente infeccionadas para comparar como cada gêmeo reagia.”

Os relatos da participação do médico em Auschwitz, como médico-chefe e com poderes ilimitados para tratar da forma que quisesse os prisioneiros, já é bem conhecida. As árias que assobiava na rampa de seleção certamente ficaram marcadas na mente daqueles que sobreviveram. A frieza com que injetava formol nos corações dos gêmeos enquanto ainda estavam vivos, as experiências que fez, o sofrimento que causou e mortes nas quais teve participação direta, com certeza estão registradas.

O que ficou fora dos registros históricos é que após a queda de Auschwitz, Mengele e outros médicos fugiram para o lado Americano e ficaram presos em um campo de prisioneiros. A surpresa maior é que Mengele se apresentou com o seu nome verdadeiro, mas os americanos não sabiam quem estava na lista dos mais procurados. Mengele ainda tentou retornar ao lado soviético para resgatar seus estudos, mas em 1949 (4 anos após o fim da guerra), temendo que uma prisão significasse a sua morte, Mengele partiu de navio, sob um nome falso, da Itália para a Argentina.

“Mas para os alemães é melhor deixar as coisas não ditas, a não ser que a outra pessoa traga o assunto à baila. Mengele nunca tocou no assunto. Todos sabiam que os alemães que tinham vindo para a América do Sul haviam começado uma nova vida, e não havia nada mais que precisássemos saber.”

Com a ajuda de uma rede de ex-membros da SS, Mengele conseguiu uma nova identidade, um emprego de carpinteiro e levaria uma vida normal no subúrbio de Buenos Aires, não fosse a ação israelense para capturar Adolf Eichmann. Temendo novamente pela sua vida, Mengele empreendeu fuga para o Paraguai, onde recebeu cidadania paraguaia e voltou a se sentir seguro. Novamente, a rede de protetores de nazistas alertou Mengele sobre a proximidade de agentes de Israel e ele procurou abrigo no Brasil.

Mengele, a partir de 1962, passou a viver em Serra Negra, no interior de São Paulo. Vivia com um casal de húngaros, simpatizantes das ideias nazistas, sob o nome de “Seu Pedro”. Entre idas e vindas, brigas e discussões, Mengele acabou por morar sozinho em uma pequena casa no bairro Eldorado, na capital paulista. Lá, recebeu a visita de seu filho, Rolf, que não via há mais de vinte anos. Mengele sofreu um AVC em 1976. Com a saúde deteriorada, em 1979 visitou amigos na cidade litorânea de Bertioga, sofreu outro AVC enquanto nadava no mar e morreu afogado em 7 de fevereiro.

Uma história que impressiona pela falta de competência de Brasil, Paraguai, Argentina, Israel e Alemanha em capturar um homem que vivia livre e que nunca pagou pelos crimes que cometeu.

Indico o filme de 2010, Mengele’s Twins.

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Mengele

Até a próxima!