Metrópolis

Título: Metrópolis
Autora: Thea von Harbou
Editora: Aleph
Páginas: 254

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"Metrópolis" de Thea von Harbou

Resumo do livro Metrópolis 

Thea von Harbou foi uma figura central, embora complexa e controversa, do expressionismo alemão e da era de ouro do cinema mudo. Escritora prolífica, atriz e diretora, ela é frequentemente lembrada apenas como a esposa e colaboradora do cineasta Fritz Lang. Embora seu legado tenha sido manchado por sua posterior afiliação ao Partido Nazista — o que levou ao divórcio de Lang, que fugiu da Alemanha —, a obra de Harbou em Metropolis revela uma sensibilidade aguda para o melodrama social e uma imaginação visual que ajudou a definir a ficção científica moderna.

Metrópolis – História

A narrativa nos transporta para o ano de 2026, na gigantesca cidade-estado de Metropolis, um monumento à conquista técnica humana. A cidade é estritamente dividida: nas alturas, nos “Jardins Eternos”, vivem os Filhos dos Mestres, desfrutando de uma vida de hedonismo, esporte e luxo, alheios ao custo de seu conforto. Entre eles está Freder Fredersen, filho do todo-poderoso Joh Fredersen, o criador e “Cérebro” de Metropolis.

A existência idílica de Freder é estilhaçada quando uma jovem mulher, Maria, entra nos jardins cercada por crianças esqueléticas e pálidas do subsolo. Expulsa pelos guardas, sua imagem assombra Freder, que decide descer às profundezas proibidas para encontrá-la, iniciando sua jornada de despertar social.

Nas entranhas da cidade, Freder depara-se com o horror da realidade operária. Ele testemunha homens que se fundem às máquinas em turnos exaustivos, reduzidos a meras engrenagens biológicas. O auge do choque ocorre quando uma máquina gigantesca explode, matando e mutilando trabalhadores. Traumatizado, ele confronta seu pai. O diálogo expõe a frieza tecnocrática do pai: para Joh, os trabalhadores são recursos descartáveis, necessários apenas para manter o sonho da elite vivo. Decepcionado e horrorizado com a falta de humanidade do pai, Freder renega sua posição e desce novamente para ajudar os operários, assumindo o lugar de um trabalhador na máquina do relógio.

“E todos tinham os mesmos rostos. E todos pareciam ter mil anos de idade. Eles caminhavam com os punhos pendurados, eles caminhavam com a cabeça pendurada”

Enquanto Freder vivencia o sofrimento físico, Joh Fredersen, preocupado com rumores de uma revolta e com a influência de Maria, procura o inventor Rotwang. Rotwang, um gênio louco que vive em uma casa arcaica no meio da futurista Metropolis, guarda rancor de Joh por ter perdido Hel, a mulher que ambos amavam e mãe de Freder. Joh ordena que Rotwang dê ao seu “Homem-Máquina” a face de Maria, para que a cópia possa semear discórdia entre os trabalhadores e destruir a credibilidade da verdadeira profetisa. Rotwang obedece, mas com sua própria agenda: ele programa o robô não apenas para confundir, mas para destruir Metropolis e o filho de Joh, como vingança.

A falsa Maria é liberada e causa o caos absoluto. Na superfície, ela incita os homens da elite à luxúria e à violência no clube Yoshiwara; no subsolo, ela incita os operários à fúria destrutiva, convencendo-os a destruir a “Máquina Coração”, o gerador central que sustenta a cidade. Cegos pela raiva, os trabalhadores abandonam seus postos e seus filhos para destruir as máquinas.

O resultado é catastrófico: com o gerador destruído, os reservatórios de água se rompem, inundando a cidade subterrânea onde as crianças foram deixadas para trás. Enquanto a cidade colapsa e a escuridão toma conta, a verdadeira Maria, que havia sido mantida prisioneira por Rotwang, consegue escapar e, com a ajuda de Freder, lidera o resgate desesperado das crianças das águas subindo.

“Eu deveria, talvez, sentar nas esquinas da miséria e aprender a compreender os gemidos e maldições do inferno em que as vidas daqueles que oram se transformou.”

O clímax é uma tempestade de culpa e redenção. Ao perceberem que a destruição das máquinas pode ter matado seus filhos, a multidão de operários volta-se contra o robô, queimando-a em uma fogueira. À medida que a pele sintética derrete, revela-se a carcaça metálica, expondo a manipulação. Freder enfrenta Rotwang no topo da catedral gótica da cidade para salvar a verdadeira Maria, culminando na queda do inventor. No final, diante das ruínas e do sofrimento compartilhado, Freder cumpre a profecia de Maria. Ele une as mãos de seu pai, o Cérebro arrependido e aterrorizado pela quase perda do filho, às mãos de Grot, o capataz dos trabalhadores.

Metrópolis – Conclusão

A conclusão de Metropolis cristaliza-se na frase mais icônica da obra: “O Mediador entre a Cabeça e as Mãos deve ser o Coração”. O final não propõe uma revolução que derruba o sistema, mas sim uma reforma baseada na empatia e na interdependência. O livro sugere que o intelecto frio e a força de trabalho são monstros destrutivos quando operam isolados. Apenas através da compaixão e do reconhecimento mútuo da humanidade do outro a sociedade pode funcionar de maneira justa. Freder torna-se esse elo vivo, provando que a tecnologia deve servir ao homem, e não escravizá-lo.

Hoje, Metropolis ressoa com uma urgência assustadora. Vivemos a aurora da Inteligência Artificial e da robótica avançada, onde a figura do “Homem-Máquina” de Rotwang deixa de ser fantasia para se tornar uma questão ética real sobre substituição e identidade. Nas entrelinhas, Harbou nos alerta sobre os perigos de uma sociedade estratificada onde a elite tecnológica perde o contato com a realidade humana daqueles que sustentam seu conforto. O livro nos ensina que o progresso técnico desprovido de progresso moral é uma sentença de morte.

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Até a próxima!