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	<title>História &#8211; Resumo de Livro</title>
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	<description>Um blog sobre livros</description>
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	<title>História &#8211; Resumo de Livro</title>
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	<item>
		<title>Nada de Novo no Front</title>
		<link>https://resumodelivro.net/nada-de-novo-no-front/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Aug 2025 22:11:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ficção]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Editora L&PM]]></category>
		<category><![CDATA[Erich Maria Remarque]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Alemã]]></category>
		<category><![CDATA[Nada de Novo no Front]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Guerra Mundial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Publicado no período entre guerras, o livro trouxe ao público um olhar que até então era pouco retratado: o do soldado como ser humano, com sentimentos, medos e esperanças, e não apenas como peça de uma máquina de combate.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: <strong><a href="https://amzn.to/45GUj29" target="_blank" rel="noopener">Nada de Novo no Front</a></strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Autor</strong>: Erich Maria Remarque</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Editora</strong>: L&amp;PM Pocket</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Páginas</strong>: 192</p>
<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>Nada de Novo no Front</em></h3>
<p style="text-align: justify;"><em data-start="188" data-end="211">Nada de Novo no Front</em> é uma das mais impactantes obras sobre a Primeira Guerra Mundial. O livro conta a história de Paul Bäumer, um jovem alemão que, recém-saído do ambiente escolar, é levado para a linha de frente na França, carregando consigo um patriotismo inculcado por professores e adultos que viam na guerra uma causa justa e necessária. A narrativa, profundamente marcada pelas memórias do próprio autor, Erich Maria Remarque, que também foi soldado, mergulha o leitor na experiência visceral da guerra das trincheiras, expondo sem filtros as dores, os medos e a lenta corrosão da humanidade de jovens que tiveram seus destinos arrancados pela brutalidade do conflito.</p>
<h4><em>Nada de Novo no Front</em> &#8211; História</h4>
<p style="text-align: justify;">Ao lado de seus companheiros de companhia, Paul vive momentos breves de alívio na retaguarda, mas a maior parte de sua vida é moldada pela lama, pelo frio, pela fome e pela morte constante que o cerca. Ele descreve a rotina dos soldados em trincheiras úmidas e insalubres, infestadas de ratos e piolhos, onde a chuva e o barro se misturam ao sangue e aos estilhaços de granadas. O absurdo da guerra fica evidente quando os soldados avançam pela terra de ninguém, conquistando alguns metros em um dia apenas para perdê-los no seguinte, em ofensivas suicidas que não trazem qualquer propósito além de prolongar o sofrimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da violência, a camaradagem entre os soldados se torna um dos poucos laços de humanidade possíveis naquele ambiente. Os companheiros de Paul são sua família, seus irmãos de trincheira, mas a guerra não poupa ninguém: um a um, eles vão caindo, deixando-o cada vez mais solitário e desiludido. O jovem que entrou na guerra cheio de vida e expectativas passa a conviver diariamente com a morte, acreditando que sua própria hora chegará a qualquer momento, seja por uma explosão, seja por um ataque inimigo.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;As pessoas não tinham nenhuma ideia do que estava por vir. Os mais sensatos eram realmente os pobres, os simples: viram logo que a guerra era uma desgraça, enquanto as classes mais altas não se continham de alegria, embora fossem elas justamente que deveriam ter previsto mais depressa suas consequências.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;" data-start="2037" data-end="2508">Alguns episódios marcam profundamente a narrativa. Em uma rara licença de 14 dias, Paul visita sua família e percebe que já não pertence mais àquele mundo. Sua mãe, gravemente doente, separa um pouco de comida para o filho, mas ele reconhece que aqueles alimentos fariam mais falta a ela do que a si mesmo. É nesse retorno que fica evidente o quanto a guerra o transformou em um estranho em sua própria casa, um homem incapaz de retomar a vida que tinha antes do front.</p>
<p style="text-align: justify;" data-start="2510" data-end="3115">Outro momento poderoso ocorre quando Paul fica preso em uma cratera de granada. Ali, durante um ataque, um soldado francês cai no mesmo buraco. Num impulso animalesco de sobrevivência, Paul mata o inimigo, apenas para depois descobrir que ele era um pai de família, um homem simples que, assim como ele, lutava por uma causa que não compreendia, movido por ordens de oficiais que jamais experimentaram a lama, a fome e o terror das trincheiras. Essa cena resume a essência trágica da guerra: homens comuns obrigados a matar uns aos outros por decisões tomadas à distância, em gabinetes limpos e seguros.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;" data-start="2510" data-end="3115">&#8220;No front, nunca há silêncio, e a sua maldição é tão extensa que estamos sempre dentro dela.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;" data-start="2510" data-end="3115">Com o tempo, Paul perde não apenas seus amigos, mas também sua humanidade. Ao final, já não é mais um jovem cheio de sonhos, e sim apenas uma extensão do seu fuzil, reduzido a um número entre milhares, vivendo mecanicamente em meio à destruição. A sua morte chega, ironicamente, em um dia em que os relatórios militares registravam que não havia &#8220;nada de novo no front&#8221;. A frase, que dá título ao livro, expõe de forma brutal a indiferença com que a guerra trata a vida humana.</p>
<h4><em>Nada de Novo no Front</em> &#8211; Conclusão</h4>
<p style="text-align: justify;" data-start="3598" data-end="4265">A importância de <em data-start="3615" data-end="3638">Nada de Novo no Front</em> vai muito além da sua narrativa. Publicado no período entre guerras, o livro trouxe ao público um olhar que até então era pouco retratado: o do soldado como ser humano, com sentimentos, medos e esperanças, e não apenas como peça de uma máquina de combate. Sua denúncia contra a desumanização da guerra incomodou tanto que a obra foi proibida e queimada na Alemanha nazista, acusada de “derrotismo” e “falta de patriotismo”. Mas foi justamente por desafiar o discurso oficial que o livro se tornou um marco, servindo como alerta para as gerações futuras sobre o preço da guerra e a fragilidade da condição humana diante dela.</p>
<p style="text-align: justify;" data-start="4267" data-end="4930">Hoje, em um mundo ainda marcado por conflitos armados e por discursos que insistem em transformar jovens em números de estatísticas militares, <em data-start="4410" data-end="4433">Nada de Novo no Front</em> continua sendo essencial. Ele nos lembra que cada soldado é um indivíduo com história, afetos e sonhos, e que a guerra não é feita apenas de batalhas e territórios, mas principalmente da destruição silenciosa de vidas humanas. O livro permanece vivo: como memória, como denúncia e como um clamor por paz que não pode ser esquecido.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Gulag</title>
		<link>https://resumodelivro.net/gulag/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Nov 2024 14:00:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Anne Applebaum]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Debate]]></category>
		<category><![CDATA[Gulag]]></category>
		<category><![CDATA[União Soviética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O livro é um relato detalhado de toda a história e todos os pormenores do complexo e enorme sistema de campos de concentração e extermínio soviéticos. Assombra pela riqueza de detalhes, e mais ainda pela transparência com que descreve os horrores sofridos por milhões de soviéticos e estrangeiros nos campos da morte soviéticos durante o século XX.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: <strong><a href="https://amzn.to/3Z2ilQu" target="_blank" rel="noopener">Gulag</a></strong>
<strong>Autora</strong>: Anne Applebaum
<strong>Editora</strong>: Debate
<strong>Páginas</strong>: 980</p>

<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>Gulag</em></h3>
<p style="text-align: justify;">Quando pensamos em deportações em massa, extermínio de inimigos, indústria da morte e campos de concentração, é natural que a imagem dos campos de concentração nazista seja a única que venha à nossa mente. Porém, o que esse livro mostra é que muito antes da máquina da morte do nazismo entrar em funcionamento, já existia uma complexa e vasta organização de campos de concentração espalhadas por toda a União Soviética. Além disso, apesar de ser impensável, essa estrutura perdurou até muito tempo depois dos horrores da Segunda Guerra Mundial</p>

<h4><em>Gulag</em> &#8211; História</h4>
<p style="text-align: justify;">Já existiam campos de trabalhos forçados na Rússia Czarista, para onde os indesejados e inimigos do Czar eram enviados para cumprir suas penas. Com a Revolução Russa de 1918, e os expurgos que se seguiram na esteira da Revolução, o número de inimigos aumentou de forma exponencial. As prisões comuns já não davam conta do grande fluxo de pessoas que diariamente eram julgadas e enviadas para esses locais. Logo, o alto comando soviético resolveu não apenas manter em funcionamento os campos de trabalho czaristas, como aumentar e expandir para todo o território.</p>
<p style="text-align: justify;">A princípio as áreas próximas à Leningrado e à Moscou foram as primeiras a receberem esse tipo de estrutura. Os primeiros presos do regime comunistas foram, em sua maioria pessoas que eram contra os rumos da Revolução, mas esse contingente logo seria ampliado para qualquer um que estivesse sob o espectro de crimes de &#8220;subversão&#8221; ou &#8220;sabotagem&#8221;. Na prática, bastava que o indivíduo figurasse em alguma lista de indesejados, para o regime ou para os comandantes, para ser acusado de algum desses crimes.</p>

<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A palavra Gulag é um acrônimo de Glavnoe Upravlenie Lagerei, ou Administração Central dos Campos. Com o tempo, passou também a indicar não só a administração dos campos de concentração, mas também o próprio sistema soviético de trabalho escravo, em todas as suas formas e variedades.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Com o aumento vertiginoso de capturados, o alto escalão soviético iniciou o processo de expansão dos campos, agora já chamados de Gulag. Desde às planícies desérticas da Ásia Central, até os campos mineiros do extremo oriente, passando pelos campos da Sibéria, no ápice de funcionamento do Gulag, havia um campo de trabalhos forçados para cada um dos 12 fusos horários da União Soviética. Os presos não eram separados, então presos por crimes comuns, como assassinato, eram colocados juntos de especialistas, como engenheiros e médicos, que haviam sido presos por &#8220;sabotagem&#8221;. Além disso, mulheres, crianças e idosos tampouco escapavam da máquina da morte soviética.</p>
<p style="text-align: justify;">Como as distâncias entre Moscou e Leningrado e os campos eram enormes, e as estradas de ferro precárias, o sofrimento dos presos começava logo na viagem. Sem receberem comida e água, sendo transportados em vagões para gado, durante uma viagem que durava de semanas a meses, muitos morriam de inanição ou de disenteria. As longas paradas nas estações durante as viagens só aumentava o sofrimento dos presos, que tinham que conviver com a fome, com a sede e com o frio.</p>

<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O Gulag tinha suas próprias leis, seus próprios costumes, sua própria moralidade, até sua própria gíria. Gerou sua própria literatura, seus próprios vilões, seus próprios heróis e deixou sua marca em todos os que passaram por ele, fosse como presos, fosse como guardas.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Quando chegavam ao Gulag, muitos deles ainda passavam por interrogatórios e longas sessões de tortura. Eram encarcerados em celas apinhadas que não possuíam qualquer estrutura básica. Os campos foram criados em regiões próximas à grandes áreas de exploração. Assim, os campos da Sibéria serviam para a extração de madeira e pescado, os campos do oriente e da Ásia central eram próximos às minas. Dessa forma, o Gulag adquiria duas importâncias para o regime de Stálin. Serviam como prisão e desterro para indesejados e inimigos do Estado. E também serviam para suprir o governo com itens de grandeza básica, como madeira, carvão e metais preciosos.</p>
<p style="text-align: justify;">A autora conseguiu juntar, ao longo de anos de pesquisa, e graças à abertura política com o fim da União Soviética, milhares de relatórios, listas de prisioneiros, decisões de julgamentos, e todos os tipos de documentos que comprovam, não apenas a existência dos Gulag, como a participação ativa de membros do alto escalão do Estado soviético nas decisões que levaram milhões de pessoas à morte. Anne também teve acesso a centenas de pesquisas que foram feitas e que continham depoimentos de sobreviventes. Ela mesmo fez dezenas de entrevistas. Esses relatos servem para aprofundar as denuncias contra o Estado soviético e o seu planejamento em matar milhões de pessoas nos campos de concentração.</p>

<h4><em>Gulag</em> &#8211; Conclusão</h4>
<p style="text-align: justify;">Conforme o Estado soviético colapsava, os campos de concentração também se aproximavam de seu fim. O Gulag terminou quando a União Soviética ruiu. Atualmente existem comissões para rever os erros cometidos. Sem dúvida, o objetivo é encerrar a discussão sobre o passado, apaziguar as vítimas, e evitar uma investigação mais profunda das causas do stalinismo e de seu legado. Agora, o Gulag são parte de uma história distante, e os poucos que lembram da história preferem manter o silêncio.</p>

<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Desde os primeiros dias do Estado soviético, as pessoas seriam condenadas a cumprir pena não pelo que fizessem, mas pelo que fossem.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O livro é um relato detalhado de toda a história e todos os pormenores do complexo e enorme sistema de campos de concentração e extermínio soviéticos. Assombra pela riqueza de detalhes, e mais ainda pela transparência com que descreve os horrores sofridos por milhões de soviéticos e estrangeiros nos campos da morte soviéticos durante o século XX. Impossível não se revoltar com tanta falta de humanidade. Um livro forte, angustiante, porém extremamente necessário para quebrar alguns paradigmas em relação ao comunismo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>1889</title>
		<link>https://resumodelivro.net/1889-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Sep 2024 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[1889]]></category>
		<category><![CDATA[Clássico]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Globo Livros]]></category>
		<category><![CDATA[História do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Laurentino Gomes]]></category>
		<category><![CDATA[Resumo de Livro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República do Brasil. Em 1889, Laurentino Gomes nos conta em pormenores um fato de grande importância histórica: a Proclamação da República.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: <a href="https://amzn.to/3ZoNWxI" target="_blank" rel="noopener"><strong>1889</strong></a><br /><strong>Autor</strong>: Laurentino Gomes<br /><strong>Editora</strong>: Globo Livros<br /><strong>Páginas</strong>: 415</p>
<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>1889</em></h3>
<p style="text-align: justify;">Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República do Brasil. Em 1889, Laurentino Gomes nos conta em pormenores um fato de grande importância histórica: a Proclamação da República. Através da escola, sabemos o dia do evento, quem foram os principais atores responsáveis e as consequências das ações perpetradas naquele dia. Mas assim como diversos outros fatos da História do Brasil, não conhecemos de fato as motivações e todos os envolvidos. </p>
<h4><em>1889 </em>&#8211; História</h4>
<p style="text-align: justify;">O autor nos mostra um panorama sobre os diversos fatores que contribuíram para a queda da Monarquia. Entre eles, a saúde de Dom Pedro II é uma parte importante. É inegável que Dom Pedro II estava senil e doente. Sofrendo de diabetes, o Imperador quase não aparecia em público e não tinha mais o vigor de comandar um país de dimensões continentais. A sucessão de seus gabinetes, antes dividida entre conservadores e liberais, foi quebrada com a nomeação de políticos conservadores sucessivos durante a década de 1880. Além disso, temia-se que a Princesa Isabel, primeira na linha de sucessão, não tivesse a força necessária para governar. O medo aumentava quando olhava-se para seu marido, Conde D&#8217;Eu, um estrangeiro sem manejo político.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro fator decisivo para a proclamação da República foi a Guerra do Paraguai. O início do conflito mostrou o despreparo do Exército brasileiro. Durante o combate, a Monarquia necessitou de diversos empréstimos, pegos com nações estrangeiras, para equipar as tropas. Isso trouxe o aumento da dívida externa brasileira, que já se encontrava em números alarmantes. Além disso, a vitória esmagadora das forças brasileiras ao término da guerra teve como saldo o fortalecimento da instituição Exército e principalmente de seus oficiais. Novas escolas militares foram abertas e estas começaram a reunir um oficialato jovem e liberal, muito distante da velha e emperrada Monarquia.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Na campanha abolicionista havia doios Brasis em confronto. O primeiro, o dos defensores do fim da escravidão, era representado pelos advogados, professores, médicos, jornalistas e outras profissões urbanas &#8211; um país que frequentava escolas, atualizava-se pelos jornais, reunia-se nos cafés para discutir ideias e novidades do século XIX. O outro Brasil era o dos fazendeiros, ainda muito parecido com o da época da colônia &#8211; agrários, isolado, analfabeto, sem comunicações e conservador.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O Brasil do final do século XIX ainda era um país agrário, mas ao invés da cultura da cana de açúcar no Nordeste, imperava o cultivo de café, no oeste paulista e principalmente no Vale do Paraíba, entre Rio de Janeiro e São Paulo. O café brasileiro era majoritariamente cultivado com braço escravo. Como um dos pilares econômicos do país era a exportação do café, é natural pensar que a abolição da escravidão não era vista com bons olhos pelos barões do café. Mas a situação era tão insustentável socialmente que não havia mais como adiar o fim da abominável escravidão. A abolição foi assinada em 1888 trouxe novamente prestígios social à Monarquia, com a Princesa Isabel elevada à qualidade de redentora da nação.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, tirou da monarquia a sua sustentação mais sólida: os grandes cafeicultores do Vale do Paraíba. Quando a situação da Monarquia se mostrou insustentável, e a iminente revolução batia à porta, foi fácil para os grande cafeicultores mudarem de lado e se tornarem republicanos. Os barões do café logo perceberam que era inútil lutar contra a escravidão, mas era natural, no entendimento deles, que fossem compensados financeiramente por perderem a mão de obra.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A construção desse país dos sonhos estava confiada a uma aristocracia relativamente pequena, que mandava seus filhos para estudar na França e na Inglaterra, tinha contato com as ideias liberais discutidas em universidades europeias, mas tirava sua riqueza da exploração da mão de obra cativa e do latifúndio.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Era grande a movimentação nas escolas militares, nos jornais liberais e nos círculos políticos cada vez mais próximos do Imperador. O castelo monárquico começava a ruir. Os republicanos já haviam organizado a nova república, sempre com o apoio fundamental do Exército, a quem de fato caberia a tomada do poder. Mas faltava um nome forte para liderar as tropas republicanas. Encontraram no velho Marechal Deodoro da Fonseca a pessoas certa. Velho, doente e em final de carreira, Deodoro da Fonseca em nada parecia com o altivo general das pinturas futuras.</p>
<p style="text-align: justify;">Importante lembrar que Deodoro não era republicano. Ele aceitou tomar frente do movimento pois acreditava que o país estava de mal a pior com o gabinete que então estava no poder. Segundo seus biógrafos, o Marechal tinha como intenção depor o gabinete e pressionar o Imperador a abdicar em favor de sua filha, a Princesa Isabel que, mais jovem e com mais vigor, saberia encaminhar uma saída para a crise política vigente. Somente quando soube que o Imperador havia convocado um adversário de Deodoro para assumir o governo provisório é que o Marechal mudou de lado e se tornou um defensor da República, assinando o documento que oficialmente colocava fim à monarquia e o instituía presidente interino do Brasil.</p>
<h4><em>1889 </em>&#8211; Conclusão</h4>
<p style="text-align: justify;">Ao Imperador e a família real foi dada uma ordem de que teriam 24 horas para saírem do país. No início da madrugada do dia 16 de novembro de 1889, uma pequena comitiva foi avistada no porto do Rio de Janeiro, de uma das suas carruagens desceu um senhor vestido de preto, carregando uma pequena mala: era Dom Pedro II, que a partir daquele dia nunca mais pisaria em solo brasileiro com vida. </p>
<p style="text-align: justify;">A República do Brasil nasceu sob a égide da espada. Somos uma República que nasceu de farda. Depois de proclamada, pouca coisa mudou em relação à Monarquia, principalmente politica e socialmente. Os favores, o coronelismo, a venda de títulos nobiliárquicos, os acordos excusos e o jeitinho para levar vantagem em tudo, continuaram, e continuam até os dias atuais. Por mais incrível que pareça, hoje, vivemos o maior período democrático em toda a história do país. Mas sempre temos o fantasma do fascismo e da ditadura a nos espreitar nas esquinas da história. </p>
<p>Esse livro é uma aula de História do Brasil. A verdadeira História.</p>
<p>De Laurentino Gomes já publicamos:</p>
<ul>
<li><strong><a href="https://resumodelivro.net/1822-2/" target="_blank" rel="noopener">1822</a></strong></li>
</ul>
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		<title>1789 &#8211; A Inconfidência Mineira</title>
		<link>https://resumodelivro.net/1789-a-inconfidencia-mineira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Aug 2024 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[1789 - A Inconfidência Mineira]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil Colônia]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Excalibur]]></category>
		<category><![CDATA[História do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Inconfidência Mineira]]></category>
		<category><![CDATA[José Martino]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história da inconfidência mineira é um tema ainda controverso na História do Brasil. Controverso pois não existe unanimidade entre os estudiosos sobre os verdadeiros papeis desempenhados pelos participantes e muito menos um consenso acerca das suas motivações.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: <strong><a href="https://amzn.to/3WXd64R" target="_blank" rel="noopener">1789 &#8211; A Inconfidência Mineira </a></strong><br /><strong>Autor</strong>: José Martino<br /><strong>Editora</strong>: Excalibur<br /><strong>Páginas</strong>: 315</p>
<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>1789 &#8211; A Inconfidência Mineira</em></h3>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>1789 &#8211; A Inconfidência Mineira</em></strong> tem o objetivo de apresentar um importante fato da História do Brasil através de duas perspectivas. A primeira é contextualizando o movimento inconfidente dentro das relações entre Portugal e Espanha no final do século XVIII, e portanto, detalhando as principais características dos personagens envolvidos, direta e indiretamente, no movimento. A outra perspectiva traz ao leitor o ambiente onde tudo ocorreu. Assim, temas como vestuário, lazer, alimentação, finanças, são detalhados para trazer uma ambientação da capitania de Minas Gerais do final do século XVII.</p>
<h4><em>1789 &#8211; A Inconfidência Mineira</em> &#8211; História</h4>
<p style="text-align: justify;">Quando o ouro foi descoberto na região de Minas Gerais, a princípio pelos bandeirantes paulistas, houve um fluxo enorme de pessoas para a região em busca de riqueza. Estamos no início do século XVIII e a atual região de Minas Gerais fazia parte da Capitania de São Paulo. Em uma época onde o ouro era a maior riqueza em circulação, é fácil imaginar o que essa descoberta gerou.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram tantas pessoas que se dirigiram para Minas que a Coroa portuguesa precisou baixar um decreto proibindo que portugueses embarcassem para o Brasil para esse fim. Além de estabelecer postos de controle nos caminhos que levavam à Minas para controlar o volume de pessoas que se movimentavam naquela direção.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A nova lei estabelecia uma cota mínima a ser paga por ano: cem arrobas de ouro. Caso este valor não fosse atingido, a Coroa lançava a Derrama, uma contribuição coletiva, rateada entre todos os moradores da capitania, mineradores ou não, para cobrir os prejuízos do rei.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Com as minas de ouro cada vez produzindo mais, aumentou o números de habitantes e como consequência o número de cidades. Na mesma medida aumentou a quantidade dos impostos reais cobrados sobre os habitantes de Minas. A região alcançou tanta importância que a Coroa alçou a região à capitania e estabeleceu caminhos oficiais para escoar a produção aurífera para Portugal. Portugal aumentou o controle estabelecendo o seu aparato burocrático e militar na capitania. Surgiam os regimentos reais, casas de fundição, ouvidoria real e todo aparato político.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso fez crescer em Minas uma elite abastada financeira e intelectualmente. Vários homens retornavam à Minas após terem se formado na Universidade de Coimbra, com acesso a informações que se tornaram fundamentais para o movimento inconfidente. Contudo, sendo um elemento natural finito, a produção de ouro começou a decair a partir da metade do século XVIII. Em contrapartida, a Coroa cada vez cobrava mais impostos, usurpando todos os habitantes da capitania. Com os seus interesses pessoais e financeiros em jogo, naturalmente os mais inteligentes logo se uniram em torno dos ideais de liberdade.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A verdade era uma só. Em meados do século XVIII, com o natural esgotamento das lavras, a capitania das Minas passou a sentir mais intensamente todas as restrições impostas pela Coroa.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O que os unia era a necessidade de diminuir suas dívidas com a Coroa portuguesa. Estavam diretamente envolvidos: militares de alta patente, como Domingos de Abreu Vieira, ricos fazendeiros e donos de minas de ouro, como Francisco de Oliveira Lopes, ricos contratantes, como João Rodrigues de Macedo, advogados e poetas, como Claudio Manoel da Costa e Alvarenga Peixoto, o ex-ouvidor da capitania Tomáz Antonio Gonzaga e militares de baixa patente, como Tiradentes.</p>
<p style="text-align: justify;">O movimento teria início quando o governo decretasse a Derrama (imposto que recaía sobre todos os habitantes para pagar a diferença entre a produção de ouro e a quantidade de 100 arrobas). Com medo do que poderia acontecer, e para salvar a própria pele, alguns inconfidentes delataram o movimento ao Visconde de Barbacena, então governador da capitania. Barbacena logo mandou prender os acusados e os enviou para o Rio de Janeiro. </p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Sabendo dos boatos que corriam na cidade a respeito do levante, Barbacena decide suspender a derrama. Isto foi o tiro de misericórdia no movimento inconfidente.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Na capital da colônia os acusados sofreram extensos interrogatórios e torturas. O que ficou relatado nos Autos da Devassa (processo aberto pela Coroa), foi que após vários interrogatórios Tiradentes assumiu toda a culpa do movimento. Após 3 anos das prisões, e com todos sendo condenados à morte pelo crime de lesa-majestade, uma nova sentença foi proferida: os réus civis e militares seriam enviados em degredo perpétuo para as colônias portuguesas na África, os clérigos seriam enviados para Portugal, e somente Tiradentes seria morto por forca, para servir de exemplo aos demais súditos.</p>
<p style="text-align: justify;">Tiradentes morreu no dia 21 de abril de 1792. Foi esquartejado e teve partes de seu corpo penduradas ao longo da estrada entre Rio de Janeiro e Vila Rica. Sua cabeça ficou exposta na praça principal de Vila Rica. Sua casa foi destruída e o terreno salgado para que nada mais crescesse ali.</p>
<h4><em>1789 &#8211; A Inconfidência Mineira </em>&#8211; Conclusão</h4>
<p style="text-align: justify;">A história da inconfidência mineira é um tema ainda controverso na História do Brasil. Controverso pois não existe unanimidade entre os estudiosos sobre os verdadeiros papeis desempenhados pelos participantes e muito menos um consenso acerca das suas motivações. A principal fonte histórica é o registro do processo que a Coroa portuguesa abriu para julgar e punir os sediosos, a Devassa. Mas a versão oficial dos vencedores não deve ser usada como fonte única para análise de algum evento histórico. Ficamos com as suposições e as visões românticas que permeiam o imaginário brasileiro há mais de 200 anos.</p>
<p>Indico o filme <em><strong><a href="https://filmow.com/inconfidencia-mineira-t295283/" target="_blank" rel="noopener">Inconfidência Mineira</a></strong></em>, de 1948.</p>
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		<title>O Tratado de Versalhes</title>
		<link>https://resumodelivro.net/o-tratado-de-versalhes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Jun 2024 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[A Primeira Guerra Mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Editora UNESP]]></category>
		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jean-Jacques Becker]]></category>
		<category><![CDATA[Nazismo]]></category>
		<category><![CDATA[O Tratado de Versalhes]]></category>
		<category><![CDATA[Segunda Guerra Muncial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após o término da Guerra, os países vencedores se reuniram para aplicar punições e sanções aos vencidos, principalmente à Alemanha. Elaboraram então o Tratado de Versalhes. Mas este teve uma péssima reputação, pois até hoje o Tratado é considerado o precursor da Segunda Guerra Mundial.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: <a href="https://amzn.to/3yJZFLZ" target="_blank" rel="noopener"><strong>O Tratado de Versalhes</strong></a><br /><strong>Autor</strong>: Jean-Jacques Becker<br /><strong>Editora</strong>: UNESP<br /><strong>Páginas</strong>: 224</p>
<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>O Tratado de Versalhes</em></h3>
<p style="text-align: justify;">Para cada gênero literário existe um leitor aficcionado. E nada enche mais os olhos de quem gosta de História do que uma obra como essa: um livro que descreve os acontecimentos como eles ocorreram, que consegue mostrar ao leitor algo que ele não sabia. A Primeira Guerra Mundial foi um conflito mundial envolvendo, principalmente, países europeus. No livro: <a href="https://resumodelivro.net/a-primeira-guerra-mundial/" target="_blank" rel="noopener"><em><b>A Primeira Guerra Mundial, </b></em></a>eu conto mais sobre as origens desse conflito através da resenha de outro livro. Estima-se que 20 milhões de pessoas perderam a vida nos campos de batalha. </p>
<h4><em>O Tratado de Versalhes</em> &#8211; História</h4>
<p style="text-align: justify;">Após o término da Guerra, os países vencedores se reuniram para aplicar punições e sanções aos vencidos, principalmente à Alemanha. Elaboraram então o Tratado de Versalhes. Mas este teve uma péssima reputação, pois até hoje o Tratado é considerado o precursor da Segunda Guerra Mundial, além de responsável pelo aparecimento do nazismo na Alemanha e do Fascismo na Itália. Isso é verdade? Poderia ter sido de outro modo? É o que o livro tenta explicar.</p>
<blockquote>
<p>&#8220;Dessa paz imposta surgirão novo ódio entre os povos e novos crimes ao longo da história&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O Tratado de Versalhes foi uma conferência de vencedores. Um dos principais aspectos do pós-guerra foi a total marginalização dos vencidos. Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, através de Lloyd George, Clemenceau e Woodrow Wilson, respectivamente, foram os principais autores não apenas do Tratado de Paz, mas de todos os movimentos no pós-guerra, que incluem a criação da Liga das Nações (ou Sociedade das Nações) que se tornou a ideia original da futura ONU.</p>
<p style="text-align: justify;">Não apenas os territórios estavam em jogo, suas populações também foram envolvidas sob o princípio do direito dos povos à autodeterminação. Dessa forma, ao se decidir sobre a partilha do Império Austro-Húngaro, do Império Otomano e das conquistas alemãs, levou-se em consideração a história e a etnia dos povos que aí viviam. Plebiscitos foram organizados para minimizar os danos étnicos, sem prejudicar o lado político e econômico dos aliados. Vale mencionar que o livro é uma aula de geografia europeia, pois todas as disputas territoriais são detalhadas.</p>
<blockquote>
<p>&#8220;Era evidente que esse tratado continha o começo de novos conflitos&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">As discussões sobre os itens do Tratado foram acaloradas por conta da personalidade dos três grandes plenipotenciários, que divergiam tanto quanto às sanções que seriam impostas quanto às disputas territoriais. A Alemanha inicialmente se recusou a assinar o Tratado, mas com a pressão interna e externa finalmente em 28 de junho de 1919 aceitou os termos, exatos cinco anos da morte do Arquiduque Sérvio Franz Ferdinand. Outros Tratados foram feitos em separado com os aliados alemães: austríacos, húngaros, sérvios, búlgaros e turcos.</p>
<blockquote>
<p>&#8220;O banimento da Alemanha das nações resultou também em uma série de medidas econômicas, coloniais, militares, navais, e cada uma delas feria plenamente o espírito alemão.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O resultado da assinatura do Tratado de Versalhes é conhecido: na Alemanha, as repressões violentas impostas, aliado às sanções econômicas e militares, criaram o cenário perfeito para o surgimento de um nacionalismo exacerbado, onde uma propaganda odiosa e o culto a um grande salvador levou milhões de pessoas à morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Itália, a falta de habilidade do governo em conseguir os territórios pretendidos e o papel secundário assumido na elaboração do Tratado de Versalhes, levou os italianos a acreditarem em um político habilidoso que também apelava para os sentimentos nacionais, e já em 1919 Benito Mussolini assumia o governo italiano. Na Rússia, a Revolução Bolchevique trouxe tanto medo aos países ocidentais que foi deixada de lado para resolver seus próprios problemas, e um cordão sanitário, que ia da Finlândia à Romênia, foi criado para separar a civilidade da barbárie.</p>
<h4><em>O Tratado de Versalhes</em> &#8211; Conclusão</h4>
<p style="text-align: justify;">O Tratado de Versalhes pode ser considerado o precursor da Segunda Guerra Mundial? Em um certo aspecto: sim. Mas ele poderia ter sido feito de forma diferente? Diante das circunstâncias: não. O que houve foi um julgamento sem o réu. A Alemanha não pôde se defender, e talvez nem deveria. O jogo de cartas marcadas não poderia ter outro desfecho.</p>
<p>Livro excelente.</p>
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		<item>
		<title>A Biblioteca Esquecida de Hitler</title>
		<link>https://resumodelivro.net/a-biblioteca-esquecida-de-hitler/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Apr 2024 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[A Biblioteca Esquecida de Hitler]]></category>
		<category><![CDATA[Adolf Hitler]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[Timothy W. Ryback]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://resumodelivro.net/?p=3571</guid>

					<description><![CDATA[<p>Como se uma atrocidade precisasse de justificativa, a humanidade imagina encontrar essa justificativa em um livro. Não poderia ser diferente com Adolf Hitler. Estima-se que um dos maiores genocidas do século XX possuísse 16 mil livros.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: <strong><a href="https://amzn.to/4axjjJi" target="_blank" rel="noopener">A Biblioteca Esquecida de Hitler</a></strong><br /><strong>Autor</strong>: Timothy W. Ryback<br /><strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br /><strong>Páginas</strong>: 249</p>
<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>A Biblioteca Esquecida de Hitler</em></h3>
<p style="text-align: justify;">A humanidade sempre buscou encontrar, na vida das principais personagens históricas, algo que fizesse referência aos atos praticados por essas personalidades. Como se uma atrocidade precisasse de justificativa, a humanidade imagina encontrar essa justificativa em um livro. Não poderia ser diferente com Adolf Hitler. Estima-se que um dos maiores genocidas do século XX possuísse 16 mil livros, divididos entre a chancelaria do Reich em Berlim, seu escritório pessoal em Munique, e no refúgio de Obersalzberg, nos Alpes bávaros. </p>
<p style="text-align: justify;">Durante oito anos de pesquisa em coleções públicas e particulares nos Estados Unidos e na Europa, o autor rastreou desde os livros lidos pelo cabo-mensageiro Hitler, nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, até as consoladoras leituras dos dias finais no bunker de Berlim, em 1945. </p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Walter Benjamin certa vez disse que dá para saber muita coisa sobre um homem pelos livros que ele mantém: seus gostos, seus interesses, seus hábitos. Os livros que guardamos e os que descartamos, os que lemos bem como os que decidimos não ler, dizem algo sobre quem somos.&#8221;</p>
</blockquote>
<h4><em>A Biblioteca Esquecida de Hitler</em> &#8211; História</h4>
<p style="text-align: justify;">O autor fez um trabalho minuscioso para tentar traçar uma lógica por trás dos livros que Hitler leu, fazendo uma referência direta com o que estava acontecendo na Alemanha, e com o próprio Hitler. Obviamente que Hitler possuía coleções completas de Shakespeare, Goethe, Kant, Schiller e Ficht, e que essas leituras o influenciaram, se não no campo militar, certamente na construção de seu caráter. Assim, peceber que o ímpeto da <em>blietzgrieg</em> alemã mantém um estrito paralelo com a obra &#8220;Da Guerra&#8221;, de Clausewitz, seria um lugar comum. </p>
<p style="text-align: justify;">Porém, o autor descobriu que, enquanto lutava nas trincheiras enlameadas da Primeira Guerra, o então cabo-mensageiro Adolf Hitler comprou o livro da história arquitetônica de Berlim, do crítico Max Osborn. Na época em que Hitler era um dos mais disciplinados e corajosos mensageiros da linha de frente, com uma tenacidade e uma capacidade de se manter firme diante das adversidades da guerra, o livro &#8220;<em>Berlim</em>&#8221; traz ao antigo estudante de arte um acalento para os momentos mais angustiantes. Na época em que cigarros, álccol e mulheres estavam em alta na linha de frente, gastar 4 marcos com um estudo arquitetônico parece uma forma de fugir da realidade.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Sua breve carreira política se consolidara com base na intimidação, bajulação e subterfúgios. Era um mestre no gracejo desdenhoso ou na observação mordaz que silenciava as críticas e desviava a atenção. Quando aquilo falhava, abafava a discordância num dilúvio de raiva e linguagem bombástica, ou dependia dos socos e pontapés das suas tropas de choque de camisas pardas.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">No período em que Hitler crescia em importância dentro do partido, e que culminou com o malfadado golpe de Munique em 1923, um importante mentor, defensor e figura partenal esteve presente. Dietrich Eckart, um dramaturgo influente na esfera social e política da Alemanha, introduziu Hitler na mais alta casta da sociedade alemã. Desse importante norteador das ideias antissemitas nazistas, Hitler guardava com grande estima e apreço uma cópia do roteiro de uma releitura de Eckart do clássico <em>Peer Gynt</em>. Nessa clássica peça de teatro, o personagem principal não possui caráter, ele faz o que quer, quando quer, sem medir as consequências de seus atos. </p>
<p style="text-align: justify;">Os livros sobre espiritualidade e ocultismo também se fizeram presentes em larga escala na biblioteca de Hitler. Esses exemplares talvez sejam as testemunhas mais eloquentes da quase obsessão permanente de Hitler. Vários desses livros contêm marcas nas margens que correspondem às mesmas marcações que foram encontradas em outros livros de sua biblioteca, atestando que existe um alinhamento notável entre essas marcas e ideias expressas em monólogos de Hitler e outros comentários registrados. A maior parte desses livros sobre espiritualidade e ocultismo foram adquiridos em momentos distintos e reveladores: nos primeiros anos da década de 1920, com um Adolf Hitler enérgico e necessitado de embasamento espiritual; e outra parte adquirida nos anos finais da Segunda Guerra, onde o ditador alemão precisava da espiritualidade por motivos óbvios.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Também deve ser nossa ambição dar um exemplo à nossa própria época, Hitler disse, de modo que as gerações futuras, sob crises e pressões semelhantes, possam olhar para nós assim como hoje olhamos para os heróis de nossa própria história.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Além disso, é sabido que Hitler leu dezenas de livros sobre o antissemitismo nascente na Alemanha, e também no mundo, como &#8220;<em>O Judeu Internacional</em>&#8220;, do americano Henry Ford. Também sobre a história dos Estados Unidos, através de Sven Hedin e o livro &#8220;<em>Os Estados Unidos na luta dos continentes.</em>&#8221; E nos momentos finais de sua vida, Hitler se apegou a biografia &#8220;História de Frederico, o Grande&#8221;, de Thomas Carlyle.</p>
<p style="text-align: justify;">É notável o quanto os livros estavam presentes na vida de Hitler. Como moldaram, ou antes, embasaram, ideias que nasciam em sua mente. É particularmente provocador a quantidade de livros que demonizavamm e propunham o extermínio de judeus e de dissidentes políticos. Antes de justificar os atos cometidos, como se os livros tivessem sido o motor propulsor dos crimes cometidos, esse livro aborda a perspectiva de que, para cada momento do ditador alemão, havia sempre um livro que conversava com ele.</p>
<h4><em>A Biblioteca Esquecida de Hitler</em> &#8211; Conclusão</h4>
<p style="text-align: justify;">Uma biblioteca particular serve como testemunha permanente e confiável da personalidade do seu colecionador. Nada mais natural que ter a certeza de que colecionamos livros na crença de que os estamos preservando, quando, na verdade, são os livros que preservam seu colecionador. Não é diferente com Adolf Hitler. Ao olhar para os livros marcados pelo comandante alemão, percebemos o quanto de Hitler está preservado nas páginas dos livros que leu.</p>
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		<item>
		<title>As Barbas do Imperador</title>
		<link>https://resumodelivro.net/as-barbas-do-imperador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Mar 2024 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[As Barbas do Imperador]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil Império]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil República]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Lilia Moritz Schwarcz]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://resumodelivro.net/?p=3497</guid>

					<description><![CDATA[<p>A autora faz um trabalho primoroso de reavivar uma história que passa desbercebida pela maioria dos brasileiros. O Brasil da corte e das elites. O Brasil oficial, da pompa e da opulência. No livro, mais que o vislumbre de uma das faces da História do Brasil, vemos os traços fortes e históricos de um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o Imperador Dom Pedro II.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: As Barbas do Imperador<br /><strong>Autora</strong>: Lilia Moritz Schwarcz<br /><strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br /><strong>Páginas</strong>: 623</p>
<p style="text-align: center;"><a style="background-color: #ff9900; color: #000000; padding: 15px 30px; text-decoration: none; font-weight: bold; border-radius: 5px; font-size: 18px; box-shadow: 0 4px 6px rgba(0,0,0,0.1);" href="https://amzn.to/3VqwUgt" target="_blank" rel="nofollow noopener sponsored">COMPRAR NA AMAZON</a></p>
<p><a href="https://youtu.be/PPBGL0ZlRZo" target="_blank" rel="noopener"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-5692 size-large" style="aspect-ratio: 16/9; width: 100%; height: auto;" src="https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2026/01/Abertura-2-16-800x450.jpg?x14911" alt="As Barbas do Imperador., de Lilia Moritz Schwarcz" width="800" height="450" srcset="https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2026/01/Abertura-2-16-800x450.jpg 800w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2026/01/Abertura-2-16-300x169.jpg 300w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2026/01/Abertura-2-16-768x432.jpg 768w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2026/01/Abertura-2-16-1536x864.jpg 1536w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2026/01/Abertura-2-16-2048x1152.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></a></p>
<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>As Barbas do Imperador</em></h3>
<p style="text-align: justify;">Uma mistura de ensaio interpretativo e biografia do Imperador Dom Pedro II, esse livro apresenta a monarquia brasileira sob um ângulo original. Ao mostrar o Brasil do século XIX, com sua alta sociedade disputando espaço com escravos e analfabetos, a autora faz um retrato de Dom Pedro II. Imperador aos catorze anos, um homem que governou o país durante quase meio século e que se tornou a figura máxima do Brasil Império. <em><strong>As Barbas do Imperador</strong></em> mostra as muitas facetas do monarca: letrado, viajante, amante do progresso, cidadão, e às vezes, alheio ao cargo que ocupava.</p>
<h4><em>As Barbas do Imperador</em> &#8211; História</h4>
<p style="text-align: justify;">Com a crise sucessória do trono, em Portugal, Dom Pedro I se viu obrigado a abdicar do trono brasileiro para que pudesse recuperar o trono português para sua filha Dona Maria da Glória. Deixou no Brasil seu sucessor, Dom Pedro II com cinco anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante o período regencial, como forma de evitar uma crise na monarquia pelo vácuo de poder, e com o claro objetivo de manter o poder concentrado, as elites locais mantiveram o príncipe sob uma redoma, protegido dos meandros da política nacional. A preocupação naquele momento era de instruir o jovem príncipe nas artes, políticas e não políticas. Esculpia-se um monarca, no caráter, na educação e sobretudo na personalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a política nacional em frangalhos, com revoltas separatistas ocorrendo em todo o território, a elite política decidiu tomar uma decisão. Com o que ficou conhecido como o &#8220;golpe da maioridade&#8221;, Dom Pedro II foi sagrado Imperador do Brasil com catorze anos de idade. É notável a iconografia e o cerimonial que foi construído ao redor desse momento. Em nada devendo às coroações da Europa medieval, a sagração de Dom Pedro teve todos os elementos necessários para transmitir uma mensagem: a monarquia brasileira estava mais viva do que nunca.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Transformado em uma instituição nacional muito antes de ter qualquer possibilidade de comando em suas mãos, d. Pedro convertia-se em uma representação política guardada ciosamente pelas elites locais.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Educado para as artes, tudo indicava que Dom Pedro se limitaria a &#8220;reinar&#8221;. Cuidaria das artes, das ciências e da cultura, sendo a política e a economia as áreas de atuação que não o mobilizavam. O &#8220;grande imperador&#8221; era apenas uma representação de si, cumprindo de forma ritual, pomposa e elaborada uma agenda oficial feita para apresentá-lo apenas em momentos destacados. E nesse momento, as imagens cumpriam um papel fundamental: reproduziam um monarca que estava invisível no cotidiano da população.</p>
<p style="text-align: justify;">O jovem Dom Pedro II encontrava-se recluso no Paço Imperial, mas mostrava-se seguro, jovem e forte para os súditos. Anos depois, casado por procuração com a herdeira das duas Sicílias, Teresa Cristina, Dom Pedro II daria início a sua vida adulta.</p>
<p style="text-align: justify;">Em capítulo à parte, como se vivendo em um mundo imaginário, a corte brasileira se afeiçoou cada vez mais à moda e à etiqueta europeia. É a época da importação de costumes, vestuário, gastronomia e, principalmente, da cultura europeia para os trópicos. Nada mais distante da realidade da sociedade brasileira, que na época era formada, em sua maioria, por escravos. O Brasil era um país rural e escravocrata, muito distante da opulência e da vida da corte.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Na ótica da corte, o mundo escravo, o mundo do trabalho, deveria ser transparente e silencioso. No entanto, o contraste entre as pretensões civilizadoras da realeza &#8211; orgulhosa com seus costumes europeus &#8211; e a alta densidade de escravos é flagrante.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Na política, com o fim das principais revoltas separatistas, dois partidos disputavam a cena: os conservadores e os liberais. Porém, ambos eram frágeis diante da intervenção direta do Imperador em assuntos pelos quais o próprio monarca não tinha interesse. O interesse do Imperador era destacar uma memória e reconhecer uma cultura. Seguindo esse objetivo, Dom Pedro II fundou o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), congregando a elite econômica e literária carioca.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir de 1850, o Instituto se afirmaria como um importante centro de estudos, favorecendo a pesquisa literária, estimulando a vida intelectual e funcionando como um elo entre a intelectualidade e os meios oficiais.</p>
<p style="text-align: justify;">Dom Pedro II alicerçava a sua imagem de monarca dos trópicos. O objetivo era resgatar as raízes brasileiras. O indígena se tornou o personagem central da iconografia oficial e não eram poucas as imagens do Imperador rodeado por índios e elementos indígenas. Exaltava-se o índio, escondia-se o escravo. O próprio monarca passou a estudar o tupi e o guarani. Cunhava-se a imagem do sábio mecenas, amantes das artes e das ciências, o monarca letrado.</p>
<p style="text-align: justify;">Datam dessa época as maiores construções do Império: o Palácio de São Cristóvão, morada oficial da monarquia, e o Palácio de Petrópolis, residência de verão. Assim como a iconografia, a grandiosidade das construções monárquicas deveriam servir para demonstrar a grandiosidade do Imperador e de sua corte.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Monarca sem querer sê-lo, civilizado em um país escravocrata, cidadão em uma terra que desconhecia a cidadania, Dom Pedro II tinha nas exposições universais um palco ideal para seu cada vez mais esvaziado teatro.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Cada vez mais distante do termo &#8220;reinar&#8221;, Dom Pedro II se tornava um estudioso e um entusiasta pelo progresso. Participava com afinco das exposições universais que ocorriam na Europa e nos Estados Unidos. Levava o que o Brasil tinha de melhor para essas exposições, com o objetivo de mostrar um país que mesmo ele desconhecia. É a época do monarca cidadão, que abandonou a pompa da monarquia e os apetrechos imperiais. Dificilmente era visto com coroa e cetro, estava sempre com um jaquetão preto e um livro na mão.</p>
<p style="text-align: justify;">Já com sua imagem desgastada, e a saúde dando indícios de fraqueza, eclodiu a Guerra do Paraguai. Dom Pedro II fez questão de estar presente no campo de batalha, o que serviu como um último suspiro para sua popularidade. O massacre dos inimigos, quando a guerra já estava decidida, manchou novamente sua reputação e à de sua família, uma vez que o marido da Princesa Isabel, Conde D&#8217;Eu, era o comandante do Exército nessa fase do conflito. Com o Exército fortalecido, nascia o principal opositor do Império brasileiro.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Antídoto e veneno, a centralidade do poder de Dom Pedro fazia dele o pivô certeiro de um golpe, mas também, estranhamente, uma imagem que se separava do próprio sistema.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Isolado pelo Exército que ajudou a fortalecer, a posição do monarca se tornou insustentável quando, em maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a lei que tornava livre todo escravo em solo brasileiro. Como aconteceu anteriormente, quando da assinatura da lei do ventre livre, Dom Pedro II estava em viagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos dois momentos de maior importância política e social do Segundo Reinado, o Imperador estava fora do país. Agora, a monarquia ficaria isolada também pela base política que a sustentava: a elite escravocrata. Sem apoio político, isolada em Petrópolis, restou à Dom Pedro II receber das mãos de um ordenança a ordem para se evadir do país, levando consigo a família imperial. Estava dado o golpe que levaria à Proclamação da República.</p>
<h4><em>As Barbas do Imperador</em> &#8211; Conclusão</h4>
<p style="text-align: justify;">Com a República instaurada, tratou-se de banir tudo o que lembrava a monarquia: os bens e os imóveis foram leiloados; as imagens imperiais foram rapidamente trocadas pelas republicanas; bandeiras, flâmulas e hinos foram rapidamente construídos para evitar que o povo lembrasse de seu passado recente. Os militares se sucederam no poder para consolidar o golpe. Mas para a consolidação da República, os heróis nacionais deveriam ser elevados. Além de Tiradentes, a figura de Dom Pedro II foi novamente lembrada. No centenário da Independência, em 1922, foi autorizado o retorno dos restos mortais de Dom Pedro e Dona Teresa Cristina. O monarca retornava à sua pátria mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">A autora faz um trabalho primoroso de reavivar uma história que passa desbercebida pela maioria dos brasileiros. O Brasil da corte e das elites. O Brasil oficial, da pompa e da opulência. No livro, mais que o vislumbre de uma das faces da História do Brasil, vemos os traços fortes e históricos de um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o Imperador Dom Pedro II.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Eu Sou Malala</title>
		<link>https://resumodelivro.net/eu-sou-malala/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Mar 2024 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Eu Sou Malala]]></category>
		<category><![CDATA[Malala Yousafzai]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu Sou Malala é uma narrativa extraordinária que nos leva à vida de Malala Yousafzai, uma jovem paquistanesa cuja coragem e determinação a tornaram um símbolo global da luta pela educação e dos direitos das mulheres.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: Eu Sou Malala<br /><strong>Autor</strong>: Malala Yousafzai<br /><strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br /><strong>Páginas</strong>: 342</p>
<p style="text-align: center;"><a style="background-color: #ff9900; color: #000000; padding: 15px 30px; text-decoration: none; font-weight: bold; border-radius: 5px; font-size: 18px; box-shadow: 0 4px 6px rgba(0,0,0,0.1);" href="https://amzn.to/48kzFTB" target="_blank" rel="nofollow noopener sponsored">COMPRAR NA AMAZON</a></p>
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<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>Eu Sou Malala</em></h3>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Eu Sou Malala</strong></em> é uma narrativa extraordinária que nos leva à vida de Malala Yousafzai, uma jovem paquistanesa cuja coragem e determinação a tornaram um símbolo global da luta pela educação e dos direitos das mulheres.</p>
<blockquote>
<p>“Com armas, você pode matar terroristas. Com educação, você pode acabar com o terrorismo.”</p>
</blockquote>
<h4><em><strong>Eu Sou Malala </strong></em>&#8211; História</h4>
<p style="text-align: justify;">A história se passa no vale do Swat, no noroeste do Paquistão, uma região marcada por uma beleza natural deslumbrante, mas também por conflitos políticos e violência causados pela presença do Talibã. Malala desde jovem, mostrava uma paixão pela educação, influenciada por seu pai, Ziauddin Yousafzai, um defensor dos direitos humanos e da educação para todos.</p>
<blockquote>
<p>“Nos deixe pegar nossos livros e nossas canetas, eles são as armas mais poderosas.”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Malala descreve sua infância feliz, marcada por sua sede de conhecimento e sua determinação em desafiar as normas sociais que limitavam as oportunidades das mulheres em sua comunidade. Ela frequentemente escrevia sobre seu desejo de se tornar uma líder e de fazer a diferença em seu país. No entanto, a vida de Malala mudou drasticamente quando o Talibã tomou o controle do vale do Swat, impondo regras rígidas e proibindo a educação para meninas. Em meio a esse cenário desafiador, Malala se destacou como uma voz corajosa em defesa da educação, escrevendo um blog para a BBC Urdu sob um pseudônimo, no qual compartilhava suas experiências e sua luta pela educação.</p>
<p style="text-align: justify;">A trama se intensificou quando Malala se tornou alvo do Talibã, que viu sua defesa da educação como uma ameaça aos seus objetivos. Em um ataque a tiros direcionado a Malala em seu ônibus escolar, ela foi gravemente ferida, mas milagrosamente sobrevive. Após o atentado, Malala enfrentou um longo processo de recuperação física e emocional, lutando para superar os traumas do ataque e encontrar forças para continuar sua luta pela educação. Ela recebeu apoio de sua família, especialmente de seu pai, que a inspirou a continuar sua missão de empoderar as mulheres através da educação.</p>
<blockquote>
<p>“Conto minha história não porque ela é única, mas porque não é. É a história de várias garotas.”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Ao longo de sua jornada, Malala encontrou adversidades inúmeras vezes, incluindo ameaças contínuas do Talibã e a necessidade de se exilar em outro país por segurança. No entanto, ela não desistiu de sua missão e continuou a inspirar pessoas ao redor do mundo com sua coragem e determinação inabaláveis. O livro também oferece uma visão detalhada da cultura e da história do Paquistão, destacando os desafios enfrentados por suas mulheres e a importância da educação na luta contra a pobreza e a opressão.</p>
<h4><em><strong>Eu Sou Malala </strong></em>&#8211; Conclusão</h4>
<p style="text-align: justify;">O livro é uma história de esperança, resiliência e determinação. Malala emerge como uma verdadeira heroína, cuja jornada inspiradora nos lembra do poder da educação para transformar vidas e superar as adversidades mais difíceis.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">“Nenhuma luta pode ter sucesso sem mulheres participando lado a lado com os homens. Há dois poderes no mundo: um é a espada e o outro a caneta. Há um terceiro poder mais forte que os dois: o das mulheres.”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Através da história de Malala, somos lembrados da importância de nos levantarmos contra a injustiça e de lutarmos por aquilo em que acreditamos, independentemente dos desafios que enfrentamos. Sua coragem e seu compromisso com a educação continuam a inspirar milhões de pessoas ao redor do mundo, tornando <em><strong>Eu Sou Malala</strong></em> uma leitura obrigatória para todos aqueles que buscam inspiração e esperança em face da adversidade.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Brasil: Nunca Mais</title>
		<link>https://resumodelivro.net/brasil-nunca-mais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Feb 2024 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil: Nunca Mais]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Paulo Evaristo Arns]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Vozes]]></category>
		<category><![CDATA[Golpe Militar]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esse livro é o resultado da mais ampla pesquisa realizada pela sociedade civil sobre a tortura política no país, revelando a gravidade das violações aos direitos humanos promovidas pela repressão política durante a ditadura militar. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: <a href="https://amzn.to/3OBIlO9" target="_blank" rel="noopener"><strong>Brasil: Nunca Mais</strong></a><br /><strong>Autor</strong>: Dom Paulo Evaristo Arns<br /><strong>Editora</strong>: Vozes<br /><strong>Páginas</strong>: 312</p>
<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>Brasil: Nunca Mais</em></h3>
<p style="text-align: justify;">O Estado, tenha ele qualquer ideologia, não tem o cidadão como uma propriedade sua. O Estado não tem o direito de infligir ao cidadão, de forma deliberada, qualquer tipo de suspensão de suas liberdades. O direito do cidadão ao bem-estar está assegurado em qualquer constituição minimamente decente. Infelizmente, em momentos de distúrbios sociais e políticos extremos, ou em governos autoritários e ditatoriais, todas essas prerrogativas caem por terra. O Brasil teve, a partir de 1964, um Estado de exceção, onde todas as garantias ao cidadão foram suspensas, entrando em vigor a lei do terror.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse livro é o resultado da mais ampla pesquisa realizada pela sociedade civil sobre a tortura política no país. O projeto foi uma iniciativa do Conselho Mundial de Igrejas e da Arquidiocese de São Paulo, que trabalharam durante cinco anos sobre 850 mil páginas de processos do Superior Tribunal Militar, revelando a gravidade das violações aos direitos humanos promovidas pela repressão política durante a ditadura militar. </p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O método de torturas foi institucionalizado em nosso país e, que a prova deste fato não está na aplicação das torturas pura e simplesmente, mas, no fato de se ministrarem aulas a este respeito, sendo que, em uma delas o interrogado e alguns dos seus companheiros, serviram de cobaias.&#8221;</p>
</blockquote>
<h4><em>Brasil: Nunca Mais</em> &#8211; História</h4>
<p style="text-align: justify;">Em 1964 o Brasil vivia dias de turbulência social e política. O presidente João Goulart propunha a adoção de uma agenda que previa um pacote de reformas, desde política até agrária. Essa agenda, aliada à aproximação do presidente com países comunistas, (lembremos que o mundo vivia sob a cortina de fumaça da Guerra Fria), foi gestando um crescente descontentamento da cúpula militar e de setores mais conservadores da sociedade, como a Igreja Católica. </p>
<p style="text-align: justify;">A tensão crescente entre os militares e o governo atingiu o auge em 31 de março. O golpe estava em curso. O presidente foi destituído, o congresso nacional foi fechado. Os militares nas ruas garantiriam a ordem. Tinha início os 21 anos de Ditadura Militar no Brasil. Os anos iniciais foram momentos de transição, com ajustes no cenário político e a maior aproximação com os Estados Unidos. Com as eleições suspensas, a cúpula das forças armadas se revezava no poder. As tensões com a sociedade eram enormes e crescentes e o movimento de resistência começou a tomar corpo, principalmente nas capitais, e especialmente no Rio de Janeiro. É nesse cenário que, em 1968, o Presidente Costa e Silva instituiu o Ato Institucional nº5.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A pesquisa revelou quase uma centena de modos diferentes de tortura, mediante agressão física, pressão psicológica e utilização dos mais variados instrumentos, aplicados aos presos políticos brasileiros.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Nesse ato, ao presidente era dada maior concentração de poder. Além disso, ficava suspensa a garantia de habeas corpus, nos casos de crimes políticos. Na prática, a partir de então, qualquer cidadão preso perdia o direito à defesa, e passava a se configurar propriedade do Estado. E o Estado poderia fazer o que bem entendesse com o cidadão, em nome da segurança nacional. A partir desse momento, institucionalizou-se a tortura no país.</p>
<p style="text-align: justify;">Importante ressaltar que em mais da metade dos mais de quatro mil processos analisados, os indiciados tinham atingido a universidade. Em um contexto nacional em que pouco mais de 1% da população chegava até o ensino superior. Além disso, somente 91 desses réus se declararam analfabetos, em um país onde pelo menos 20 milhões de pessoas maiores de 18 anos não sabia ler ou escrever. Isso mostra que o extrato social dos envolvidos na resistência era de classe média. Talvez por ter mais acesso à informação, talvez por ocupar um espaço social que permitia a manifestação de seus posicionamentos políticos. Além disso, foram perseguidos: políticos com o mandato ativo no momento do golpe; ex-parlamentares, inclusive ex-presidentes; membros da imprensa; membros da Igreja.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A tortura foi indiscriminadamente aplicada no Brasil, indiferente a idade, sexo ou situação moral, física e psicológica em que se encontravam as pessoas suspeitas de atividades subversivas. Não se tratava apenas de produzir, no corpo da vítima, uma dor que o fizesse entrar em conflito com o próprio espírito e pronunciar o discurso que, ao favorecer o desempenho do sistema repressivo, significasse sua sentença condenatória.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Os presos eram levados para o Departamento de Operações de Informações &#8211; Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), agência de repressão política subordinada ao Exército. No local, os &#8220;inimigos&#8221; do governo eram encarcerados, torturados e mortos. Além disso, diversos outros locais espalhados pelo país serviam de cativeiro, onde os suspeitos eram levados para serem torturados e assumirem a culpa por algum delito contra o Estado, ou ainda entregar o paradeiro dos indiciados mais procurados.</p>
<p style="text-align: justify;">Para completar o absurdo, a Justiça Militar tinha plena ciência do que acontecia nos interrogatórios, tinha total conhecimento das torturas e mortes perpetradas pelos militares.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O emprego sistemático da tortura foi peça essencial da engrenagem repressiva posta em movimento pelo Regime Militar que se implantou em 1964. Foi, também, parte integrante, vital, dos procedimentos pretensamente jurídicos de formação da culpa dos acusados.&#8221;</p>
</blockquote>
<h4><em>Brasil: Nunca Mais</em> &#8211; Conclusão</h4>
<p style="text-align: justify;">O livro traz uma descrição minuciosa dos tipos de tortura que os presos sofreram. O relato é angustiante. As atrocidades eram desumanas. Além disso, o livro pormenoriza os principais depoimentos, contrastando com a realidade dos fatos. Expõe de forma sistemática as práticas torturantes a que foram submetidos homens, mulheres e idosos no decursos dos Anos de Chumbo.</p>
<p style="text-align: justify;">Livro fundamental para entender um pouco esse período da História do Brasil, e rechaçar algumas falsas verdades contadas atualmente por pessoas que continuam a defender um regime de exceção. A maioria das pessoas que hoje defende o retorno de um regime militar, ou que enaltece figuras que comprovadamente participaram das torturas, sequer faz ideia do sofrimento que milhares de brasileiros passaram nos porões da ditadura.</p>
<p>Esse é o tipo de livro que deveria estar nas prateleiras de todos os brasileiros.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Quando se obtém a certeza da prisão, os organismos de segurança já eliminaram vítima e já destruíram todos os vestígios que pudessem levar ao seu paradeiro. A perpetuação do sofrimento, pela incerteza sobre o destino do ente querido, é uma prática de tortura muito mais cruel do que o mais criativo dos engenhos humanos de suplício.&#8221;</p>
</blockquote>
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		<title>Náufragos</title>
		<link>https://resumodelivro.net/naufragos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Feb 2024 15:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Artes e Ofícios]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo San Martin]]></category>
		<category><![CDATA[Náufragos]]></category>
		<category><![CDATA[Resumo de Livro]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://resumodelivro.net/?p=3205</guid>

					<description><![CDATA[<p>São histórias escritas muito depois dos acontecimentos e possuem o direito à dúvida. Algumas claramente fantasiosas, outras nem tanto. Neste livros estão reunidas algumas que possuem alguma veracidade em suas informações.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: <strong><a href="https://amzn.to/49qBlf2" target="_blank" rel="noopener">Náufragos</a></strong><br /><strong>Autor</strong>: Eduardo San Martin<br /><strong>Editora</strong>: Artes e Ofícios<br /><strong>Páginas</strong>: 245</p>
<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>Náufragos</em></h3>
<p style="text-align: justify;">São histórias escritas muito depois dos acontecimentos e possuem o direito à dúvida. É bom lembrar que após o descobrimento das Américas, todo capitão ou marinheiro que saía dos portos da Inglaterra, Espanha e Portugal, sempre voltava com alguma história para contar. Algumas claramente fantasiosas, outras nem tanto. Neste livro estão reunidas algumas que possuem alguma veracidade em suas informações. Um ponto interessante dos relatos é a descrição dos acidentes geográficos característicos da costa da América do Sul.</p>
<h3>A saga de Peter Carder (Do rio da Prata aos mares da Bahia)</h3>
<p style="text-align: justify;">É a história do marinheiro inglês Peter Carder que após se perder de sua frota, com outros 7 companheiros, em setembro de 1578, virou náufrago na foz do Rio da Prata. Seu primeiro encontro com índios matou seis de seus companheiros, o outro morreu após ingerir muita água depois de um grande período de sede. Sozinho, Peter Carder travou um encontro desesperado com índios que ele chamou de &#8220;Tup&#8217;n&#8217;Bass&#8221; (Tupinambás) e passou a viver com eles.<br />Decidido a voltar à Inglaterra, Peter pediu ao chefe da tribo para levá-lo até algum assentamento europeu e ele fez uma longa viagem até o porto de Todos os Santos (Bahia). Porém, lá chegando, ele foi tratado como invasor e sofreu a ameaça de ser enviado para Portugal para trabalhar como escravo. Após 3 anos aguardando o envio para a Europa o marinheiro inglês conseguiu fugir, encontrou uma frota inglesa e depois de 9 anos e 14 dias voltou a pisar em solo inglês. Conta a história que a soberana, maravilhada, mandou seu escrivão real colocá-la no papel. Verdade ou mentira, é uma história e tanto.</p>
<h3 style="text-align: justify;">Os erros de Thomas Cockle, o &#8220;Erva Daninha&#8221; (Assalto à barra do Espírito Santo)</h3>
<p style="text-align: justify;">Essa é a história do capitão inglês Thomas Cockle e sua tripulação a bordo da nau <em>Victor</em>. Em 1608, após passar pelo Estreito de Magalhães, ao sul da Terra do Fogo, Cockle se viu em apuros ao ter seu barco avariado por tenebrosas tempestades. Mas com uma costa brasileira repleta de portugueses e índios ávidos para matar qualquer invasor, Cockle acabou perdendo muitos homens na barra do Espírito Santo. Após outro encontro com muitas mortes na Ilha Grande, próxima a São Vicente, Cockle partiu para a Ilha de Santa Helena no meio do Oceano Pacífico, mas um grande motim acabou com a sua liderança. Sua aventura pelos mares terminou com sua prisão domiciliar na Inglaterra. Maus ventos o levaram de volta para casa.</p>
<blockquote>
<p>&#8220;A bordo, também descobri que caíramos nas garras de Ned Low, um pirata maldito, famoso no mar do Caribe pela crueldade dos seus assaltos e maus-tratos da sua própria tripulação.&#8221;</p>
</blockquote>
<h3 style="text-align: justify;">A Fuga de Philip Ashton (Prisioneiro de piratas nas ilhas do Grão-Pará)</h3>
<p style="text-align: justify;">Philip Ashton era um marinheiro inglês que teve o navio em que navegava atacado por piratas em junho de 1722. Após um período trabalhando para os piratas, saqueando diversos navios pelas ilhas do sul do Caribe, ele finalmente conseguiu fugir e se refugiar em algumas ilhas na foz do Rio Amazonas, próximo à ilha de Marajó. Sem saber nadar e sem nenhuma ferramenta, Ashton passou por momentos dignos de seriados sobre sobrevivência: descobriu que a vontade de viver está acima de qualquer dificuldade.</p>
<h3 style="text-align: justify;">A sorte de Daniel Duff (Salvo pelos índios do Rio Paraíba)</h3>
<p style="text-align: justify;">Essa historia se passa no ano de 1756 quando o Capitão da corveta <em>Brisky</em>, Daniel Duff, ao fazer a viagem inaugural do navio, pegou uma tempestade enorme. Saindo do Caribe com destino ao Suriname, a tripulação do <em>Brisky</em> ficou reduzida a apenas Daniel e mais 3 sobreviventes em uma barca pequena e furada. A tempestade era digna dos piores pesadelos de qualquer homem do mar. <span style="font-weight: normal;">Após onze dias a deriva com a correnteza levando-os para o sul, finalmente encontraram uma praia e índios samaritanos que os acolheram, alimentaram, trataram suas feridas e ajudaram a encontrar algum navio de bandeira inglesa para poderem retornar à pátria mãe. </span><span style="font-weight: normal;">Essa história pode ser verdadeira, mas contém alguns traços de fantasia.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Gritei que era tarde demais para rezar. Tinham que cortar as cordas e cair no mar. Agora, era fé Deus, mãos nas cordas e pé na tábua, porque madeira boia. Quando chega a hora ruim, só escapa quem encara a morte de frente.&#8221;</p>
</blockquote>
<h3 style="text-align: justify;">O Abandono de John Mawson (Sodomita condenado da ilha da Trindade)</h3>
<p style="text-align: justify;">Em maio de 1675, um marinheiro holandês de nome John Mawson foi deixado na Ilha da Trindade (a 1200 km de distância do Espírito Santo) à sua própria sorte. Ele permaneceu na ilha por cerca de cinco meses, onde escreveu um interessante diário, encontrado junto a seu esqueleto muitos anos depois. Em suas anotações, ele descreveu as explorações que fazia pela ilha em busca de comida e água, ambas escassas. Um pedaço da Bíblia era sua única distração. Mawson começou a ser assombrado por visões de fantasmas que, segundo acreditava, eram de pessoas mortas por ele. Finalmente ele se confessou: apesar de todo o mal que causou a tantas pessoas, a sodomia e a pederastia, que ele praticava contra inválidos e bêbados no convés dos navios foi a sua ruína. Com pouca água e pouca comida, sob um calor tropical em uma ilha no meio do oceano, Mawson tentou manter a civilidade até onde pôde. O seu diário mostra a decadência de um corpo são em uma alma apodrecida. Um relato nauseante.</p>
<h3 style="text-align: justify;">A astúcia de Roger Woods e seus companheiros (Reféns dos Incas no Reino do Peru)</h3>
<p style="text-align: justify;">Em 1710, após contornar o estreito de Magalhães com direção ao Oceano Pacífico, o navio <em>Holandesa</em> foi pego de surpresa por uma grande tempestade. Woods e mais 35 tripulantes ficaram à deriva na costa ainda desconhecida por eles. Mas ao conseguirem desembarcar, descobriram que foram parar no território dominado pelos incas. As surpresas com a organização e a violência com que foram tratados foram sentidas na mesma intensidade. Depois de quase um ano sob o domínio inca, finalmente Woods e seus homens conseguiram uma barca velha e a autorização do rei inca para partir. Sem instrumentos, a tripulação novamente acabou parando nas águas violentas do estreito de Magalhães. Novamente foram pegos em uma tempestade horrenda, mas dessa vez o navio rompeu o casco e jogou os sobreviventes contra as pedras. Milagrosamente Woods foi resgatado por um casal de náufragos que há muito se estabeleceu na Terra do Fogo e por lá vivia. Esse relato foi escrito pelo próprio Woods na Patagônia, à espera de alguma embarcação para voltar para sua terra.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Não há terra à vista, e o que boia é cortiça! Cortem o resto de mastro rente ao chão e abandonem o barco, que o convés virou um charco. A alma é de Deus, o corpo é dos peixes e o amor é do mar. Nessas águas arredias, a morte e não a vida é a única viagem definitiva.&#8221;</p>
</blockquote>
<p>Livro muito interessante por contar um pouco de como eram as navegações na época do descobrimento das Américas.</p>
<p>Indico o filme <em><strong><a href="https://filmow.com/hans-staden-t5112/" target="_blank" rel="noopener">Hans Staden</a></strong></em>, produção brasileira de 1999 que conta a saga de um imigrante alemão que naufragou no litoral de Santa Catarina, e que retrata bem os primeiros contatos do europeu com os índios.</p>
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