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	<title>Brasil Império &#8211; Resumo de Livro</title>
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	<description>Um blog sobre livros</description>
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	<title>Brasil Império &#8211; Resumo de Livro</title>
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	<item>
		<title>As Barbas do Imperador</title>
		<link>https://resumodelivro.net/as-barbas-do-imperador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Mar 2024 14:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[As Barbas do Imperador]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil Império]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil República]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Companhia das Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Lilia Moritz Schwarcz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A autora faz um trabalho primoroso de reavivar uma história que passa desbercebida pela maioria dos brasileiros. O Brasil da corte e das elites. O Brasil oficial, da pompa e da opulência. No livro, mais que o vislumbre de uma das faces da História do Brasil, vemos os traços fortes e históricos de um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o Imperador Dom Pedro II.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: As Barbas do Imperador<br /><strong>Autora</strong>: Lilia Moritz Schwarcz<br /><strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br /><strong>Páginas</strong>: 623</p>
<p style="text-align: center;"><a style="background-color: #ff9900; color: #000000; padding: 15px 30px; text-decoration: none; font-weight: bold; border-radius: 5px; font-size: 18px; box-shadow: 0 4px 6px rgba(0,0,0,0.1);" href="https://amzn.to/3VqwUgt" target="_blank" rel="nofollow noopener sponsored">COMPRAR NA AMAZON</a></p>
<p><a href="https://youtu.be/PPBGL0ZlRZo" target="_blank" rel="noopener"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-5692 size-large" style="aspect-ratio: 16/9; width: 100%; height: auto;" src="https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2026/01/Abertura-2-16-800x450.jpg?x14911" alt="As Barbas do Imperador., de Lilia Moritz Schwarcz" width="800" height="450" srcset="https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2026/01/Abertura-2-16-800x450.jpg 800w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2026/01/Abertura-2-16-300x169.jpg 300w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2026/01/Abertura-2-16-768x432.jpg 768w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2026/01/Abertura-2-16-1536x864.jpg 1536w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2026/01/Abertura-2-16-2048x1152.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></a></p>
<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>As Barbas do Imperador</em></h3>
<p style="text-align: justify;">Uma mistura de ensaio interpretativo e biografia do Imperador Dom Pedro II, esse livro apresenta a monarquia brasileira sob um ângulo original. Ao mostrar o Brasil do século XIX, com sua alta sociedade disputando espaço com escravos e analfabetos, a autora faz um retrato de Dom Pedro II. Imperador aos catorze anos, um homem que governou o país durante quase meio século e que se tornou a figura máxima do Brasil Império. <em><strong>As Barbas do Imperador</strong></em> mostra as muitas facetas do monarca: letrado, viajante, amante do progresso, cidadão, e às vezes, alheio ao cargo que ocupava.</p>
<h4><em>As Barbas do Imperador</em> &#8211; História</h4>
<p style="text-align: justify;">Com a crise sucessória do trono, em Portugal, Dom Pedro I se viu obrigado a abdicar do trono brasileiro para que pudesse recuperar o trono português para sua filha Dona Maria da Glória. Deixou no Brasil seu sucessor, Dom Pedro II com cinco anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante o período regencial, como forma de evitar uma crise na monarquia pelo vácuo de poder, e com o claro objetivo de manter o poder concentrado, as elites locais mantiveram o príncipe sob uma redoma, protegido dos meandros da política nacional. A preocupação naquele momento era de instruir o jovem príncipe nas artes, políticas e não políticas. Esculpia-se um monarca, no caráter, na educação e sobretudo na personalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a política nacional em frangalhos, com revoltas separatistas ocorrendo em todo o território, a elite política decidiu tomar uma decisão. Com o que ficou conhecido como o &#8220;golpe da maioridade&#8221;, Dom Pedro II foi sagrado Imperador do Brasil com catorze anos de idade. É notável a iconografia e o cerimonial que foi construído ao redor desse momento. Em nada devendo às coroações da Europa medieval, a sagração de Dom Pedro teve todos os elementos necessários para transmitir uma mensagem: a monarquia brasileira estava mais viva do que nunca.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Transformado em uma instituição nacional muito antes de ter qualquer possibilidade de comando em suas mãos, d. Pedro convertia-se em uma representação política guardada ciosamente pelas elites locais.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Educado para as artes, tudo indicava que Dom Pedro se limitaria a &#8220;reinar&#8221;. Cuidaria das artes, das ciências e da cultura, sendo a política e a economia as áreas de atuação que não o mobilizavam. O &#8220;grande imperador&#8221; era apenas uma representação de si, cumprindo de forma ritual, pomposa e elaborada uma agenda oficial feita para apresentá-lo apenas em momentos destacados. E nesse momento, as imagens cumpriam um papel fundamental: reproduziam um monarca que estava invisível no cotidiano da população.</p>
<p style="text-align: justify;">O jovem Dom Pedro II encontrava-se recluso no Paço Imperial, mas mostrava-se seguro, jovem e forte para os súditos. Anos depois, casado por procuração com a herdeira das duas Sicílias, Teresa Cristina, Dom Pedro II daria início a sua vida adulta.</p>
<p style="text-align: justify;">Em capítulo à parte, como se vivendo em um mundo imaginário, a corte brasileira se afeiçoou cada vez mais à moda e à etiqueta europeia. É a época da importação de costumes, vestuário, gastronomia e, principalmente, da cultura europeia para os trópicos. Nada mais distante da realidade da sociedade brasileira, que na época era formada, em sua maioria, por escravos. O Brasil era um país rural e escravocrata, muito distante da opulência e da vida da corte.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Na ótica da corte, o mundo escravo, o mundo do trabalho, deveria ser transparente e silencioso. No entanto, o contraste entre as pretensões civilizadoras da realeza &#8211; orgulhosa com seus costumes europeus &#8211; e a alta densidade de escravos é flagrante.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Na política, com o fim das principais revoltas separatistas, dois partidos disputavam a cena: os conservadores e os liberais. Porém, ambos eram frágeis diante da intervenção direta do Imperador em assuntos pelos quais o próprio monarca não tinha interesse. O interesse do Imperador era destacar uma memória e reconhecer uma cultura. Seguindo esse objetivo, Dom Pedro II fundou o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), congregando a elite econômica e literária carioca.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir de 1850, o Instituto se afirmaria como um importante centro de estudos, favorecendo a pesquisa literária, estimulando a vida intelectual e funcionando como um elo entre a intelectualidade e os meios oficiais.</p>
<p style="text-align: justify;">Dom Pedro II alicerçava a sua imagem de monarca dos trópicos. O objetivo era resgatar as raízes brasileiras. O indígena se tornou o personagem central da iconografia oficial e não eram poucas as imagens do Imperador rodeado por índios e elementos indígenas. Exaltava-se o índio, escondia-se o escravo. O próprio monarca passou a estudar o tupi e o guarani. Cunhava-se a imagem do sábio mecenas, amantes das artes e das ciências, o monarca letrado.</p>
<p style="text-align: justify;">Datam dessa época as maiores construções do Império: o Palácio de São Cristóvão, morada oficial da monarquia, e o Palácio de Petrópolis, residência de verão. Assim como a iconografia, a grandiosidade das construções monárquicas deveriam servir para demonstrar a grandiosidade do Imperador e de sua corte.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Monarca sem querer sê-lo, civilizado em um país escravocrata, cidadão em uma terra que desconhecia a cidadania, Dom Pedro II tinha nas exposições universais um palco ideal para seu cada vez mais esvaziado teatro.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Cada vez mais distante do termo &#8220;reinar&#8221;, Dom Pedro II se tornava um estudioso e um entusiasta pelo progresso. Participava com afinco das exposições universais que ocorriam na Europa e nos Estados Unidos. Levava o que o Brasil tinha de melhor para essas exposições, com o objetivo de mostrar um país que mesmo ele desconhecia. É a época do monarca cidadão, que abandonou a pompa da monarquia e os apetrechos imperiais. Dificilmente era visto com coroa e cetro, estava sempre com um jaquetão preto e um livro na mão.</p>
<p style="text-align: justify;">Já com sua imagem desgastada, e a saúde dando indícios de fraqueza, eclodiu a Guerra do Paraguai. Dom Pedro II fez questão de estar presente no campo de batalha, o que serviu como um último suspiro para sua popularidade. O massacre dos inimigos, quando a guerra já estava decidida, manchou novamente sua reputação e à de sua família, uma vez que o marido da Princesa Isabel, Conde D&#8217;Eu, era o comandante do Exército nessa fase do conflito. Com o Exército fortalecido, nascia o principal opositor do Império brasileiro.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Antídoto e veneno, a centralidade do poder de Dom Pedro fazia dele o pivô certeiro de um golpe, mas também, estranhamente, uma imagem que se separava do próprio sistema.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Isolado pelo Exército que ajudou a fortalecer, a posição do monarca se tornou insustentável quando, em maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a lei que tornava livre todo escravo em solo brasileiro. Como aconteceu anteriormente, quando da assinatura da lei do ventre livre, Dom Pedro II estava em viagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos dois momentos de maior importância política e social do Segundo Reinado, o Imperador estava fora do país. Agora, a monarquia ficaria isolada também pela base política que a sustentava: a elite escravocrata. Sem apoio político, isolada em Petrópolis, restou à Dom Pedro II receber das mãos de um ordenança a ordem para se evadir do país, levando consigo a família imperial. Estava dado o golpe que levaria à Proclamação da República.</p>
<h4><em>As Barbas do Imperador</em> &#8211; Conclusão</h4>
<p style="text-align: justify;">Com a República instaurada, tratou-se de banir tudo o que lembrava a monarquia: os bens e os imóveis foram leiloados; as imagens imperiais foram rapidamente trocadas pelas republicanas; bandeiras, flâmulas e hinos foram rapidamente construídos para evitar que o povo lembrasse de seu passado recente. Os militares se sucederam no poder para consolidar o golpe. Mas para a consolidação da República, os heróis nacionais deveriam ser elevados. Além de Tiradentes, a figura de Dom Pedro II foi novamente lembrada. No centenário da Independência, em 1922, foi autorizado o retorno dos restos mortais de Dom Pedro e Dona Teresa Cristina. O monarca retornava à sua pátria mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">A autora faz um trabalho primoroso de reavivar uma história que passa desbercebida pela maioria dos brasileiros. O Brasil da corte e das elites. O Brasil oficial, da pompa e da opulência. No livro, mais que o vislumbre de uma das faces da História do Brasil, vemos os traços fortes e históricos de um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o Imperador Dom Pedro II.</p>
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		<title>Os Sertões</title>
		<link>https://resumodelivro.net/os-sertoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 08:21:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Conselheiro]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil Império]]></category>
		<category><![CDATA[Euclides da Cunha]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra de Canudos]]></category>
		<category><![CDATA[Martin Claret]]></category>
		<category><![CDATA[Os Sertões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Essa é a história dos vencedores. De um pedaço da rica História do Brasil escrita com a ponta da baioneta. Um Brasil longínquo e inóspito. O Brasil da seca e da fome; do misticismo e da miscigenação; da religiosidade e do desamparo. O embate entre o Brasil real e o Brasil oficial.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: <strong><a href="https://amzn.to/3MLoBad" target="_blank" rel="noopener">Os Sertões</a></strong><br /><strong>Autor</strong>: Euclides da Cunha<br /><strong>Editora</strong>: Martin Claret<br /><strong>Páginas</strong>: 442</p>
<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em><strong>Os Sertões</strong></em></h3>
<p style="text-align: justify;">Como escrever sobre um livro que se apresenta completo em seus significados? Essa é a pergunta que surge após a leitura de &#8220;<em><strong>Os Sertões</strong></em>&#8220;. O autor nos coloca em uma situação contraditória: ao mesmo tempo em que estamos sentindo a boca seca pela sede, e o cheiro de sangue e morte no ar, tal qual os soldados em batalha; parece que estamos assistindo a tudo do alto, de longe o suficiente para entender os pormenores das decisões e vislumbrar todos os horrores do combate.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa é a história dos vencedores. De um pedaço da rica História do Brasil escrita com a ponta da baioneta. Um Brasil longínquo e inóspito. O Brasil da seca e da fome; do misticismo e da miscigenação; da religiosidade e do desamparo. O embate entre o Brasil real e o Brasil oficial. O livro fala por si.</p>
<h5>O cenário</h5>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Dos breves apontamentos indicados resulta que os caracteres geológicos e topográficos, a par dos demais agentes físicos, mutuam naqueles lugares as influências características de modo a não se poder afirmar qual o preponderante. Se, por um lado, as condições genéticas reagem fortemente sobre os últimos, estes, por sua vez, contribuíram para o agravamento daquelas; &#8211; e todas persistem nas influências recíprocas. Deste perene conflito feito em círculo vicioso indefinido, ressalta a significação mesológica do local. Não há abrangê-la em todas as modalidades. Escasseiam-nos as observações mais comuns, mercê da proverbial indiferença com que nos volvemos às coisas desta terra, com uma inércia cômoda de mendigos fartos.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O nordeste persiste intenso, rolante, pelas chapadas, zunindo em prolongações uivadas na galhada estrepitantes das caatingas e o sol alastra, reverberando no firmamento claro, os incêndios inextinguíveis da canícula. O sertanejo, assoberbado de reveses, dobra-se afinal.&#8221;</p>
<h5>Os personagens</h5>
<p style="text-align: justify;">&#8220;De sorte que, hoje, quem atravessa aqueles lugares observa uma uniformidade notável entre os que os povoam: feições e estaturas variando ligeiramente em torno de um modelo único, dando a impressão de um tipo antropológico invariável, logo ao primeiro lance de vistas distinto do mestiço proteiforme do litoral. Porque enquanto este patenteia todos os cambiantes da cor e se erige ainda indefinido, segundo o predomínio variável dos seus agentes formadores, o homem do sertão parece feito por um molde único, revelando quase os mesmos caracteres físicos, a mesma tez, variando brevemente do mameluco bronzeado ao cafuz trigueiro; cabelo corredio e duro ou levemente ondeado; a mesma envergadura atlética, e os mesmos caracteres morais traduzindo-se nas mesmas superstições, nos mesmos vícios, e nas mesmas virtudes. O sertanejo do norte é, inegavelmente, o tipo de uma subcategoria étnica já constituída.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A mistura de raças mui diversas é, na maioria dos casos prejudicial. Ante as conclusões do evolucionismo, ainda quando reaja sobre o produto o influxo de uma raça superior, despontam vivíssimos estigmas da inferior. A mestiçagem extremada é um retrocesso. De sorte que o mestiço &#8211; traço de união entre as raças, breve existência individual em que se comprimem esforços seculares &#8211; é, quase sempre, um desequilibrado.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Insulado deste modo no país, que o não conhece, em luta aberta com o meio, que lhe parece haver estampado na organização e no temperamento a sua rudeza extraordinária, nômade ou mal fixo à terra, o sertanejo não tem, por bem dizer, ainda capacidade orgânica para se afeiçoar a situação mais alta. O círculo estreito da atividade remorou-lhe o aperfeiçoamento psíquico. Está na fase religiosa de um monoteísmo incompreendido, eivado de misticismo extravagante, em que se rebate o fetichismo do índio e do africano. É o homem primitivo, audacioso e forte, mas ao mesmo tempo crédulo, deixando-se facilmente arrebatar pelas superstições mais absurdas.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Considerando em torno, o falso apóstolo, que o próprio excesso de subjetivismo predispusera à revolta contra a ordem natural, como que observou a fórmula do próprio delírio. Não era um incompreendido. A multidão aclamava-o representante natural das suas aspirações mais altas. Não foi, por isto, além. Não deslizou para a demência. No gravitar contínuo para o mínimo de uma curva, para o completo obscurecimento da razão, o meio reagindo por sua vez amparou-o, corrigindo-o, fazendo-o estabelecer encadeamento nuca destruído nas mais exageradas concepções, certa ordem no próprio desvario, coerência indestrutível em todos os atos e disciplina rara em todas as paixões, de sorte que ao atravessar, largos anos, nas práticas ascéticas, o sertão alvorotado, tinha na atitude, na palavra e no gesto, a tranquilidade, a altitude e a resignação soberana de um apóstolo antigo.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;O jagunço é tão inapto para aprender a forma republicana como a monárquico-constitucional. Ambas lhe são abstrações inacessíveis. É espontaneamente adversário de ambas. Está na fase evolutiva em que só é conceptível o império de um chefe sacerdotal ou guerreiro.&#8221;</p>
<h5>Antônio Conselheiro</h5>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Foge-lhe a mulher, em Ipu, raptada por um policial. Foi o desfecho. Fulminado de vergonha, o infeliz procura o recesso dos sertões, paragens desconhecidas, onde lhe não saibam o nome; o abrigo da absoluta obscuridade.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;&#8230; E surgia na Bahia, o anacoreta sombrio, cabelos crescido até os ombros, barba inculta e longa; face escaveirada; olhar fulgurante; monstruoso, dentro de um hábito azul de brim americano; abordoado ao clássico bastão, em que se apoia o passo tardo dos peregrinos.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;No seio de uma sociedade primitiva que pelas qualidade étnicas e influxo das santas missões malévolas compreendia melhor a vida pelo incompreendido dos milagres, o seu viver misterioso rodeou-o logo de não vulgar prestígio, agravando-lhe, talvez, o temperamento delirante.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Ele ali subia e pregava. Era assombroso, afirmam testemunhas existentes. Uma oratória bárbara e arrepiadora, feita de excertos truncados das Horas Marianas, desconexa, abstrusa, agravada, às vezes, pela ousadia extrema das citações latinas; transcorrendo em frases sacudidas; misto inextrincável e confuso de conselhos dogmáticos, preceitos vulgares de moral cristã e de profecias esdrúxulas. Era truanesco e era pavoroso. Parco de gestos, falava largo tempo, olhos em terra, sem encarar a multidão abatida sob a algaravia, que derivava demoradamente, ao arrepio do bom senso, em melopéia fatigante.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Espécie de grande homem pelo avesso, Antônio Conselheiro reunia no misticismo doentio todos os erros e superstições que formam o coeficiente de redução da nossa nacionalidade. Arrastava o povo sertanejo não porque o dominasse, mas porque o dominavam as aberrações daquele. Favorecia-o o meio e ele realizava, às vezes, como vimos, o absurdo de ser útil. Obedecia à finalidade irresistível de velhos impulsos ancestrais; e jugulado por ela espelhava em todos os atos a placabilidade de um evangelista incomparável.&#8221;</p>
<p>&#8220;Pregava contra a República: é certo. O antagonismo era inevitável. Era um derivativo à exacerbação mística; uma variante forçada ao delírio religioso.&#8221;</p>
<h5>O combate</h5>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Mas a luta sertaneja começara, naquela noite, a tomar a feição misteriosa que conservaria até o fim. Na maioria mestiços, feitos da mesma massa dos matutos, os soldados, abatidos pelo contragolpe de inexplicável revés, em que baqueara o chefe reputado invencível, ficaram sob a sugestão empolgante do maravilhoso, invadidos do sobrenatural, que extravagantes comentários agravavam. O jagunço, brutal e entroncado, diluía-se em duende intangível.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Era uma nevrose doida. A grande peça &#8211; o maior cão de fila daquela montaria &#8211; fez-se monstruoso fetiche desafiando o despertar de velhas ilusões primitivas. Rodeavam-no ofegantes, ansiosamente, mal reprimindo o desapontamento das trajetórias desviadas, toda a espécie de lutadores.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Os novos expedicionários ao atingirem-no perceberam esta transição violenta. Discordância absoluta e radical entre as cidades da costa e as malocas de telha do interior, que desequilibra tanto o ritmo de nosso desenvolvimento evolutivo e perturba deploravelmente a unidade nacional. Viam-se em terra estranha. Outros hábitos. Outros quadros. Outra gente. Outra língua mesmo, articulada em gíria original e pinturesca. Invadia-os os sentimento exato de seguirem para uma guerra externa. Sentiam-se fora do Brasil. A separação social completa dilatava a distância geográfica; criava a sensação nostálgica de longo afastamento da pátria.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A vida no arraial tornou-se então atroz. Revelaram-na depois a miséria, o abatimento completo e a espantosa magreza de 600 prisioneiras. Dias de angústias indescritíveis foram suportados diante das derradeiras portas abertas para a liberdade e para a vida. E permaneceriam para todo o sempre inexplicáveis, se, mais tarde, os mesmos que os atravessaram não revelassem a origem daquele estoicismo admirável. É simples. Falecera a 22 de agosto Antônio Conselheiro.&#8221;</p>
<h5>O fim</h5>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Canudos tinha muito apropriadamente, em roda, uma cercadura de montanhas. Era um parêntesis; era um hiato. Era um vácuo. Não existia. Transposto aquele cordão de serras, ninguém mais pecava. realizava-se um recuo prodigioso no tempo; um resvalar estonteador por alguns séculos abaixo.&#8221;</p>
<p>Indico o filme <a href="https://filmow.com/sobreviventes-filhos-da-guerra-de-canudos-t52642/" target="_blank" rel="noopener"><em><strong>Sobreviventes &#8211; Filhos da Guerra de Canudos</strong></em></a>, de 2004.</p>
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		<title>1822</title>
		<link>https://resumodelivro.net/1822-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2023 09:45:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[1822]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil Império]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Pedro I]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Nova Fronteira]]></category>
		<category><![CDATA[Laurentino Gomes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesse livro, que forma uma trilogia (1808, 1822 e 1889), o jornalista Laurentino Gomes nos mostra uma história que não é contada nas salas de aula. Uma história feita de sangue, traição, hipocrisia e liberdade.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: 1822 <br /><strong>Autor</strong>: Laurentino Gomes <br /><strong>Editora</strong>: Nova Fronteira <br /><strong>Páginas</strong>: 328</p>
<p style="text-align: center;"><a style="background-color: #ff9900; color: #000000; padding: 15px 30px; text-decoration: none; font-weight: bold; border-radius: 5px; font-size: 18px; box-shadow: 0 4px 6px rgba(0,0,0,0.1);" href="https://amzn.to/3ykrnZS" target="_blank" rel="nofollow noopener sponsored">COMPRAR NA AMAZON</a></p>
<p><a href="https://youtu.be/yS0mylRj4gE" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-5561 size-large" style="aspect-ratio: 16/9; width: 100%; height: auto;" src="https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2025/12/Abertura-2-23-800x450.jpg?x14911" alt="1822, de Laurentino Gomes" width="800" height="450" srcset="https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2025/12/Abertura-2-23-800x450.jpg 800w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2025/12/Abertura-2-23-300x169.jpg 300w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2025/12/Abertura-2-23-768x432.jpg 768w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2025/12/Abertura-2-23-1536x864.jpg 1536w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2025/12/Abertura-2-23-2048x1152.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></a></p>
<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>1822</em></h3>
<p style="text-align: justify;">No dia 7 de setembro comemora-se a independência do Brasil. Assim como os grandes acontecimentos de nossa história, a independência do país não é um assunto de domínio público. Nesse livro, que forma uma trilogia (1808, <em><strong>1822</strong> </em>e 1889), o jornalista Laurentino Gomes nos mostra uma história que não é contada nas salas de aula. Uma história feita de sangue, traição, hipocrisia e liberdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a chegada de D. João VI, rei de Portugal, em 1808, o Rio de Janeiro passou por grandes mudanças, assim como todo o território nacional. Mudanças que se fizeram sentir também na sociedade e na elite brasileira. Em 1821, com a tentativa de uma revolta para destituir a monarquia, D. João VI foi forçado a retornar à metrópole, deixando como príncipe regente seu primogênito, Pedro. E é aqui que o Brasil independente começa a aparecer.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Um resumo das ideias de Bonifácio pode ser observado nas instruções que escreveu para a bancada paulista em 1821. [&#8230;] O plano incluía educação primária gratuita para todos e a criação de pelo menos uma universidade para o ensino superior de medicina, ciências naturais, direito e economia. Mais surpreendente ainda era a proposta de transferência da capital, do Rio de Janeiro para uma cidade a ser criada nas cabeceiras do rio São Francisco, com o objetivo de promover e facilitar a integração nacional.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Até o <em>Grito do Ipiranga</em>, em 7 de setembro de 1822, D. Pedro tentou unir um povo que, por conta de sua geografia, possuía interesses e motivações extremamente diferentes. Para isso, se aliou a José Bonifácio de Andrada. Um homem de família rica, que estudou diversos saberes e visitou inúmeros países da Europa. Até aquele momento o príncipe oscilava entre as tropas leais a Portugal, os radicais da maçonaria que queriam a ruptura para formar uma República, e os amigos íntimos de boêmia. Bonifácio foi, então, o elo que faltava à D. Pedro na execução do plano de independência, trazendo serenidade e inteligência política.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao saber que as cortes portuguesas lançaram um ultimato, obrigando o seu retorno à Portugal, D. Pedro não viu outra alternativa a não ser declarar a colônia do Brasil independente. O tal <em>Grito do Ipiranga</em> foi dado às margens do riacho Ipiranga, na companhia de uma comitiva muito pequena de soldados, padres e políticos. Para completar o quadro pitoresco, D. Pedro estava com desarranjo intestinal. Ele e sua comitiva estavam voltando de Santos, onde D. Pedro foi visitar sua amante mais famosa, Domitila, marquesa de Santos.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;No grande confronto de opiniões e interesses observado no período, a ameaça de uma rebelião escrava era vista como um perigo mais urgente e assustador do que todas as demais dificuldades. Era esse o inimigo comum, o verdadeiro fantasma que pairava no horizonte do novo país. E contra ele se uniram os nascidos de aquém e além-mar, monarquistas e republicanos, liberais e absolutistas, federalistas e centralizadores, maçons e católicos, comerciantes e senhores de engenho, civis e militares.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Com a independência, os diversos Brasis entraram em crise. As províncias do Maranhão, Pará e Bahia, se colocaram ao lado da metrópole, e foi somente com muito derramamento de sangue que D. Pedro I conseguiu manter a unidade. Sem Exército ou Marinha e com um efetivo de soldados sem treinamento, em sua maioria voluntários e escravos, as forças de D. Pedro I conseguiram subjulgar os portugueses e serem reconhecidos como um país autônomo. Mas D. Pedro I logo percebeu que governar um país recém formado era uma tarefa tão árdua quanto a separação de Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;">Com grupos tão heterogêneos na elite (latifundiários, senhores de engenho, traficantes de escravos, marqueses e duques, maçons, federalistas, liberais, e monarquistas) as brigas internas sempre atrapalharam os primeiros anos de governo. Com a morte de D. João VI em 1826, D. Pedro era ao mesmo tempo D. Pedro I do Brasil e D. Pedro IV de Portugal. Apesar de ter abdicado do trono português em favor de sua filha mais velha Maria, se viu obrigado a retornar em 1831 para conter o avanço dos soldados de seu irmão, D. Miguel, que queria tomar o trono para si. Deixou no Brasil o jovem Pedro de Alcântara, futuro D. Pedro II, com 5 anos, como príncipe regente.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;A História do Brasil está repleta de mitos nos quais acontecimentos reais do passado se confundem com situações imaginadas, construídas ou modificadas pelas gerações posteriores de acordo com a conveniência ou necessidade de cada momento.&#8221;</p>
</blockquote>
<h4><em>1822</em> &#8211; Conclusão</h4>
<p style="text-align: justify;">A História da Independência é muito mais do que cabe escrever em um post. É uma história de um homem, D, Pedro, insaciável na cama, que teve dezenas de amantes e vários filhos bastardos. De uma princesa Leopoldina recatada e resiliente que morreu triste e sozinha. De um homem inteligente, José Bonifácio, que foi o pilar de sustentação do novo país. E de tantos homens e mulheres que lutaram nas guerras de independência e contribuíram com seu sangue para escrever um dos capítulos mais incríveis da História do Brasil. Para quem quiser ir além desse post, sugiro fazer algumas pesquisa sobre os temas: Thomas Cochrane; Dia do Fico; Batalha do Jenipapo; Noite das Garrafadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de ser importante conhecer a História do Brasil é triste perceber como a sociedade brasileira avançou muito pouco em 200 anos. Ainda somos um país misógino, racista e elitista. Ainda não reconhecemos a igualdade entre as pessoas. Ainda convivemos com a corrupção e com o desvio. O descaminho é a via que o Brasil pegou em 1822 e ainda não conseguiu sair.</p>
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		<title>Um Defeito de Cor</title>
		<link>https://resumodelivro.net/um-defeito-de-cor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jul 2023 22:50:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Maria Gonçalves]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil Império]]></category>
		<category><![CDATA[Editora Record]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[Um Defeito de Cor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história contada é de Kehinde. Sua trajetória é igual a de muitos negros africanos do século XIX: sofreu com tensões internas entre os diversos reinos inimigos; foi vendida como escrava aos portugeses; transportada nos navios negreiros pelo Atlântico e se tornou escrava no Brasil.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p style="text-align: left;"><strong>Título</strong>: Um Defeito de Cor<br /><strong>Autora</strong>: Ana Maria Gonçalves<br /><strong>Editora</strong>: Record<br /><strong>Páginas</strong>: 947</p>
<p style="text-align: center;"><a style="background-color: #ff9900; color: #000000; padding: 15px 30px; text-decoration: none; font-weight: bold; border-radius: 5px; font-size: 18px; box-shadow: 0 4px 6px rgba(0,0,0,0.1);" href="https://amzn.to/3jHwku7" target="_blank" rel="nofollow noopener sponsored">COMPRAR NA AMAZON</a></p>
<p><a href="https://youtu.be/-CNk5Me0-IM" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-5605 size-large" style="aspect-ratio: 16/9; width: 100%; height: auto;" src="https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2025/12/Abertura-2-33-800x450.jpg?x14911" alt="Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves" width="800" height="450" srcset="https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2025/12/Abertura-2-33-800x450.jpg 800w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2025/12/Abertura-2-33-300x169.jpg 300w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2025/12/Abertura-2-33-768x432.jpg 768w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2025/12/Abertura-2-33-1536x864.jpg 1536w, https://resumodelivro.net/wp-content/uploads/2025/12/Abertura-2-33-2048x1152.jpg 2048w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /></a></p>
<h3 style="text-align: center;">Resumo do livro <em>Um Defeito de Cor</em></h3>
<p style="text-align: justify;">Ao mudar-se para a Ilha de Itaparica, na Bahia, a autora afirma ter encontrado casualmente na casa de uma moradora local uma pilha de papéis velhos sobre os quais uma criança desenhava. No verso de cada folha era possível ver uma escrita feita com caneta tinteiro. Percebendo a importância histórica daqueles papéis, por reconhecer ali vários nomes, fatos e datas de importantes eventos históricos do Brasil do século XIX, ela negociou com a família e conseguiu esses documentos. Entre os fatos descritos e a história final desse livro existem lacunas, que a autora preencheu, segundo ela mesmo, ouvindo os sussurros de Kehinde.</p>
<h4><em>Um Defeito de Cor</em> &#8211; História</h4>
<p style="text-align: justify;">A história contada é de Kehinde, mulher negra nascida na África, especificamente no Reino de Daomé, atual Benin. Sua trajetória é igual a de muitos negros africanos do século XIX: sofreu com tensões internas entre os diversos reinos inimigos; foi vendida como escrava aos portugeses; transportada nos navios negreiros pelo Atlântico e se tornou escrava no Brasil. Mas Kehinde conseguiu vencer em sua trajetória. Comprou sua alforria, teve filhos, constituiu família e foi testemunha ocular de boa parte dos principais acontecimentos da história do país.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Entre os pretos havia a ideia de tomar o poder e matar ou escravizar todos os que não fossem africanos, principalmente os crioulos. Mas mesmo entre os pretos havia desunião, quase sempre desde a África, por pertencerem a nações inimigas. Eles não entendiam que no Brasil precisavam se comportar de modo diferente, esquecendo a inimizade e ficando todos do mesmo lado. Não entendiam que provavelmente essa inimizade tinha sido culpada por se tornarem escravos, pois as nações em África brigavam entre si e os derrotados e prisioneiros eram vendidos para os comerciantes nos portos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo que não fossem inimigos de guerra, alguns pretos ainda era inimigos por causa de cultos ou por ciúmes de um grupo que fosse mais valorizado, como era o caso dos muçumirins. Isso era bem verdade, pois eu já tinha ouvido várias pessoas dizendo que os muçumirins, que alguns chamavam de malês, eram pretos traidores que não se davam com a própria raça por se acharem melhores que os outros, sendo também feiticeiros perigosos para os desafetos.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Kehinde chegou sozinha ao Brasil, pois seus familiares haviam morrido na travessia. Logo foi vendida a uma família rica da Ilha de Itaparica e por lá viveu sua infância e início da adolescência. Lá vivenciou o que muito escravos viveram em nossas terras: açoitamentos, humilhações, trabalho desumano, e violência. Muita violência contra seres humanos que não eram vistos como tais. Na ilha, Kehinde foi vítima de outra atrocidade muito comum no Brasil escravista: ela foi violentada pelo seu senhor diversas vezes.</p>
<p style="text-align: justify;">O aparato psicológico da escravidão transformava qualquer violência contra os negros em algo natural na mente dos brancos. A &#8220;Sinhá&#8221; se importava mais em ter um filho de seu esposo do que ter ciência dos estupros cometidos por esse nas escravas da fazenda. </p>
<p style="text-align: justify;">Kehinde aprendeu a fazer cookies com uma família inglesa e com o dinheiro da venda conseguiu comprar sua alforria. Logo constituiu família com um português chamado Alberto e teve o seu segundo filho. Durante esse período da vida de Kehinde, importantes fatos históricos ocorreram. D. Pedro I abdicou em favor de seu filho, Pedro Alcântara e diversos tratados e leis foram criadas para abolir o tráfico de escravos. No fim, como a própria Kehinde descobriu, essas leis, criadas após uma pressão da Inglaterra, funcionavam apenas para &#8220;inglês ver&#8221;.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Foi com lágrimas nos olhos que ela disse que já estava velha, que não sabia fazer mais nada e que, àquela altura da vida, provavelmente não aprenderia, e só restava continuar servindo a uma sinhá. Em vez de ficar jogada pelas ruas, velha e mendigando, ela disse que preferia ficar cativa para o resto da vida, e se daria por muito satisfeita se a sinhá tivesse piedade e cuidasse dela na velhice, cedendo um teto e comida em nome dos bons serviços prestados.&#8221;</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Sendo negra, ex-escrava, na Bahia de meados do século XIX, obviamente Kehinde participou de uma das mais importantes revoltas do Brasil Império: A Revolta dos Malês. Essa foi a maior revolta de escravos da história do Brasil e mobilizou cerca de 600 escravos que marcharam nas ruas de Salvador convocando outros escravos a se rebelarem contra a escravidão. A Revolta dos Malês, que ficou marcada pela grande adesão de africanos muçulmanos, acabou fracassando e os envolvidos foram duramente punidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de fugir das perseguições, Kehinde viaja pelo Brasil em busca de seu filho, que foi vendido como escravo pelo seu ex-marido português. Vai para São Paulo, Santos, Rio de Janeiro e retorna para a Bahia para tentar uma nova vida em seu lugar de origem. Ela embarca novamente em um navio que atravessará o Atlântico, mas agora com destino à África. Tantas mudanças fizeram Kehinde também mudar, e já na fase madura de sua vida, ela se tornou uma comerciante de armas para os reis do Daomé que escravizavam seus inimigos para vender aos portugueses.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Perguntei se ele tinha vergonha de mim, se teria vergonha do nosso filho, e ele disse que por ele não, mas que eu deveria saber que as pessoas não aceitavam muito bem o tipo de relação que tínhamos. Os brancos gostavam dos pretos apenas para servir e não queriam que tivessem os mesmos direitos, ou regalias, e mesmo um branco pobre seria muito mais considerado que um preto rico. Disse ainda que as coisas eram assim e por muito tempo ainda seriam.&#8221;</p>
</blockquote>
<h4><em>Um Defeito de Cor </em>&#8211; Conclusão</h4>
<p style="text-align: justify;">O &#8220;defeito de cor&#8221; era um conceito exigido de liberação racial comum no século XIX. Na época, se configurava a racialidade nas questões positivistas, como se pessoas racializadas, indígenas e negras, pudessem ter na sua constituição biológica algo que fosse um defeito, como pouca inteligência, por exemplo. O livro é muito bom ao mostrar um Brasil que parece não existir: o Brasil real, da violência aos negros, do mando e desmando de ricos e poderosos. O Brasil do racismo e do preconceito. O Brasil que infelizmente ainda vive.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro, que completa 17 anos em 2023, é considerado um clássico da literatura afrofeminista brasileira e ganhou o importante prêmio literário <em>Casa de las Américas</em>, em 2007.</p>
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<p style="text-align: justify;">Se você chegou até aqui e gostou da resenha, adquira a obra através do link abaixo e apoie o Resumo de Livro.</p>
<h3 style="text-align: center;"><a style="background-color: #ff9900; color: #000000; padding: 15px 30px; text-decoration: none; font-weight: bold; border-radius: 5px; font-size: 18px; box-shadow: 0 4px 6px rgba(0,0,0,0.1);" href="https://amzn.to/3jHwku7" target="_blank" rel="nofollow noopener sponsored">COMPRAR NA AMAZON</a></h3>
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