Eutífron
Eutífron

Eutífron

Platão

Título: Eutífron
Autor: Platão
Editora: Mimética
Páginas: 27

Resumo do livro Eutífron

Esse diálogo se insere no chamado período socrático das obras de Platão. Nesse momento de sua vasta obra, Platão dá voz aos pensamentos de Sócrates. A característica principal dos diálogos dessa fase é a aporia. Aporia em grego significa “caminho inexpugnável, sem saída” ou “dificuldade”. Em filosofia, a aporia é uma dificuldade lógica ou insolúvel. Ou seja, existe uma dúvida primordial a ser tratada. Ela é debatida, pensada e refletida, porém, ao final, não chega-se a nenhuma solução possível ao problema inicial. Descobre-se apenas o que não é determinada coisa, contudo, nunca o que de fato ela é.

Eutífron – História

O diálogo é o primeiro da tetralogia que trata do julgamento, condenação, prisão e morte de Sócrates. Ele se passa, na cronologia platônica, no momento em que Sócrates é chamado a prestar esclarecimento no tribunal acerca das acusações que lhe imputaram. Na sequência desse diálogo estão as obras: Apologia de Sócrates, Críton e Fédon.

Ao se dirigir ao tribunal, Sócrates encontrou com Eutífron, e teve com ele uma conversa acerca do que seria a piedade e a impiedade. Eutífron estava se dirigindo ao tribunal para prestar queixa contra seu pai por homicídio. Segundo Eutífron, seu pai matou um serviçal para fazer justiça, já que este teria também assassinado outro homem. Eutífron afirmou que o direito estava ao seu lado, e por mais que fosse incomum acusar o próprio pai, ele acreditava estar fazendo o que era certo. 

“Sócrates – Eis, então o que ora retificamos na conversa: que aquilo que todos os deuses odiassem seria ímpio e o que amassem seria piedoso. E aquilo que alguns amassem e outros odiassem seria nem uma coisa nem outra; ou, então, ambas?”

Sócrates aproveitou a particularidade da situação para induzir Eutífron a um debate para definir o que seria a piedade. Ao tentar chegar a um consenso, a obra cria algo que ficou conhecido na Filosofia e na Teologia como o Dilema de Eutífron. Trata-se então de definir se aquilo que é correto moralmente deriva sua correção por corresponder à vontade de Deus, que põe todas as normas; ou se aquilo que é moralmente correto tem essa característica em si e, por isso, é desejada pela divindade. 

Em outras palavras: Eutífron e Sócrates debatem se as atitudes moralmente corretas que tomamos, assim o fazemos por corresponderem a um comportamento desejado e afeito à divindade, ou se, por outro lado, tomamos atitudes moralmente corretas porque essas atitudes já carregam em si o elemento de correção e, assim, agradam à divindade. Praticamos a justiça porque ela é boa em si mesmo ou para agradar a religião e a sociedade? Ou ainda, para se resguardar de leis punitivas? 

“Eutífron – Digo-te sImplesmente: que alguém que saiba fazer e dizer as coisas que são agradáveis aos deuses, rezando e sacrificando, realiza atos piedosos que salvam as famílias e as cidades; e as coisas contrárias às que agradam são ímpias: subvertem e destroem tudo.”

Sócrates, ao perguntar à Eutífron, “o que é a piedade?” exigiu que a resposta alcançasse uma série de exigências. Entre elas, a resposta correta precisaria apresentar uma forma de piedade, única, que abarcaria todos os exemplos possíveis de piedade. Eutífron, primeiro, tentou responder apresentando exemplos, mas Sócrates refutou com outros exemplos que não se encaixavam nessa definição. Depois, Eutífron tentou responder dizendo que piedoso seria o que era caro aos deuses. Também refutado por Sócrates por uma simples imposição de situações contrárias em relação à justiça. Assim, segundo Sócrates, piedoso e ímpio seriam idênticos.

Como não chegaram a uma conclusão sobre o tema, deixam em aberto uma definição. Porém, ao fazer assim, Sócrates ao menos deixou claro o que seria uma resposta que daria conta da definição de piedade. Uma correta definição não poderia sofrer variação, mas deve se manter estável como um modelo, um paradigma.

Eutífron – Conclusão

O diálogo é marcado pela falta de uma resposta definitiva. Como é uma marca dos diálogos dessa fase de Platão, as definições dos conceitos ficam em branco, talvez deixadas assim para serem preenchidas pelo leitor.

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